A data foi escolhida por ser o dia do aniversário de Frederick Banting, um dos cientistas que obtiveram a insulina exógena para uso terapêutico.
Em julho de 1921, Banting e Macleod, anunciaram os resultados do uso de insulina em animais com diabetes. Em janeiro de 2022, o primeiro paciente humano recebeu insulina e logo em 1923 a farmacêutica Eli Lilly passa a comercializar o produto. Ainda em 2023, Banting e Macleod foram laureados com o Prêmio Nobel.
A insulina foi revolucionária e salvou milhões de vidas desde a sua introdução à terapêutica. Antes, pessoas que não produziam esse hormônio viviam poucos anos após o diagnóstico de diabetes e com uma qualidade de vida muito baixa, sobretudo pela dieta imposta, excessivamente restritiva.
Hoje, mais de 200 milhões de pessoas ao redor do mundo utilizam insulina e muitos países garantem o acesso a esse medicamento, como é o caso do Brasil. Infelizmente, isso não se verifica em todos os países e há populações que precisam custear por conta própria o tratamento ou, no caso de impossibilidade financeira, conviver com as consequências nefastas do mal controle da glicemia (concentração de glicose no sangue). Níveis persistentemente elevados de glicemia predispõem a complicações micro- e macrovasculares. Entre as complicações microvasculares, temos a nefropatia (que leva à insuficiência renal), a retinopatia (que leva à cegueira) e a neuropatia diabética (que leva a amputações). As complicações macrovasculares podem levar a acidente vascular cerebral (AVC), a infarto agudo do miocárdio ou a doença arterial periférica.
O controle glicêmico, portanto, é a chave para uma vida com qualidade, e a insulina é só um dos itens do arsenal terapêutico mobilizado nessa doença. Alguns pacientes nem precisam de insulina, sendo a glicemia controlada com outros medicamentos. Isso se deve, basicamente, à diferença entre diabetes mellitus tipo 1 e diabetes mellitus tipo 2, que, juntos com o diabetes gestacional, são os principais tipos da doença. No diabetes tipo 1, o paciente obrigatoriamente depende de insulina exógena, enquanto, no diabetes tipo 2, o controle glicêmico se dá com outros medicamentos, embora, com a evolução da doença, a pessoa precise, em algum momento, ser insulinizada também.
Há diferentes classes farmacológicas para o tratamento do diabetes, sendo que alguns representantes são muito antigos, apresentando uma eficácia pequena e muitos efeitos adversos. No entanto, ao contrário de muitas doenças, o controle do diabetes ganhou, nos últimos anos, novas opções que foram incorporadas à farmacoterapia.
Mas o tratamento do diabetes vai muito além da insulina ou de qualquer outro medicamento. A dieta deve ser rigorosamente controlada e essa não é uma tarefa fácil. Para isso, um nutricionista estabelece um plano alimentar personalizado. Exercícios físicos são essenciais e o educador físico deve ser envolvido na equipe multiprofissional para o controle do diabetes. E a saúde mental também deve estar no foco dos pacientes.
No Brasil, aproximadamente 10% da população vivem com diabetes, muitos sem diagnóstico. Portanto, fique atento aos sintomas como sede excessiva (polidipsia), fome constante (polifagia), muita vontade de fazer xixi (poliúria) e perda de peso acentuada. Esses são sintomas clássicos do diabetes, embora, em muitos casos, o quadro sintomatológico possa divergir.
Ninguém precisa entrar em pânico, mas todos devem ficar atentos. É preciso conhecer a sua condição glicêmica, para que um médico possa fazer uma avaliação e constatar (ou descartar) diabetes. Apesar de ser uma doença crônica (sem cura), há tratamento e ele é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Viver com diabetes, desde que controlado, é sinônimo de uma vida plena, longa e saudável.
Rodrigo Batista de Almeida – Professor do Instituto Federal do Paraná.
Notícias Geral
Dia Mundial do Diabetes
O dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes, uma campanha criada em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
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