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Terça-feira, 17 de Março 2026
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Escrever é como um vício, basta começar

Diego Argenta - Professor de Língua Portuguesa

Escrever é como um vício,  basta começar
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Analisando os mais variados fatos que envolvem a atualidade, podemos perceber o quanto a dedicação e o valor pela escrita foram deixados de lado, esquecidos à beira de um abismo que conduz à ignorância e à uma indesejada, mas possível, exclusão. Juntamente com nossos governantes, ou aqueles que possuem um cargo em evidência politicamente, somos culpados pela desvalorização deste ato que eleva a alma e o pensamento de quem o exercita.
O exercício da escrita mostra o lado interior da pessoa. Muitos têm receio ou vergonha de se expressar oralmente, recorrendo à escrita. Lembro-me de mim na adolescência, como eu escrevia! Tudo o que eu tinha vergonha de dizer eu escrevia. Hoje, pedir para os adolescentes escreverem em uma aula de língua portuguesa é praticamente uma ofensa, uma provocação, um insulto! Sim! E digo isso com conhecimento de causa, como professor que vivencia diariamente o desgosto dos mais novos pela escrita. Aqui no Paraná os colégios públicos estaduais utilizam a plataforma Redação Paraná, cujo o objetivo é incentivar os estudantes a escreverem no mínimo três redações, de diferentes gêneros textuais, por trimestre. E eles reclamam... como reclamam! No entanto, em um texto você põe seus sentimentos, anseios, suas ideias sobre determinados fatos ou temas, seus conhecimentos, informações pesquisadas. Enfim, através da escrita o autor revela o seu íntimo – talvez seja esse o medo dos jovens. 
O ato de escrever possui um poder incomparável, e pode ser utilizado para diversos fins. No caso da política, por exemplo, será verdade o que os discursos dizem? O que as propostas apresentam? Ou simplesmente aproveitam-se da acomodação e da alienação da sociedade para implantarem suas belíssimas palavras em nossas mentes? O fato de alguém escrever algo que outrora falou ou quem sabe falará, é sinal da importância da escrita. A fala é valiosa, é essencial. Sem ela dificilmente conseguiríamos nos comunicar ativa e normalmente. Mas ela passa, e muitas vezes não volta mais: “Verba volant, scripta manent” (“As palavras voam, os escritos permanecem”). Aquilo que é escrito permanece para sempre (ou quase sempre), é eternizado. Devido ao conceito de que o povo brasileiro não tem prática de escrita, e, por conseguinte, de leitura e interpretação, muitos políticos, espertos, aproveitam-se para lançar seus venenos sobre todos. Infelizmente, no Brasil, são pouquíssimos os que exercitam a escrita. Boa parte das pessoas alfabetizadas diz não ter tempo para escrever. Outras assumem nunca ter gostado e não se submetem nem a um pequeno esforço, a uma tentativa. E ainda há quem diga que de nada vale.
Porém, nem todos são assim. Valiosos são aqueles que praticam a escrita constantemente e, com um lápis, uma caneta, a tela do telefone celular ou do computador, relatam o que estão passando, observam o que está a sua volta. Aqueles que, de um simples fato fazem artigos, crônicas, contos e quem sabe livros... optam por revelar aos outros suas palavras e ideias. Podemos citar, como exemplo, o grande escritor nordestino brasileiro, Ariano Suassuna (autor de A pedra do Reino e de O auto da Compadecida, grandes sucessos adaptados para o cinema e transmitidos por uma certa emissora de televisão). Apesar de sua idade avançada, ainda tinha forças para escrever e não pensava em parar. Foi um revelador de seu povo, de sua gente, de seus costumes e crenças; um articulador de ideias, um denunciador de crimes, lutador, patriota. A escritora Ruth Rocha, renomada no universo da literatura infantil, com “Marcelo, Marmelo, Martelo”, “A Menina que Aprendeu a Voar”, “Palavras, Muitas Palavras”, aos 94 anos, renovou seu contrato de exclusividade com a editora Salamandra por mais 15 anos, estendendo o acordo até 2039. Tudo por amor à arte de escrever.
A escrita pode ser utilizada por todos como “arma”. Sim! Arma de paz, que busca denunciar, lutar, pedir, consultar, conversar com quem não conhecemos pessoalmente e debatermos muitas coisas. Como Ariano! Utilizou-se (e utiliza-se) de seus escritos para falar de sua gente. Como Ruth! Utiliza-se de suas obras para falar com as crianças.
Sendo assim, escrever ou não escrever depende, primeiramente, da vontade de cada um, no mais íntimo do seu ser, e do estímulo dos professores e formadores da nossa personalidade, pois, de nada adianta eu querer se ninguém me incentiva a buscar. Lembre-se que a escrita pode te ajudar a conseguir muitas realizações, além de fazer com que outros possam conhecer um pouco mais sobre você, o que não faz mal a ninguém. A não ser que seu passado seja muito sombrio... O importante é começar; depois disso é difícil conseguir parar.
Diego Argenta, professor de Língua Portuguesa e Oratória. Pós-graduado em Comunicação e Oratória; Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura; Neuropsicopedagogia e Letras e Artes. Mestre de Cerimônias com mais de 20 anos de experiência. Formando em Jornalismo e Sociologia. E-mail: diegoargentavox@gmail.com. Instagram: @diegoargenta.mc.

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