Diante da privação de alimentos ou de uma alimentação insuficiente, o corpo humano utiliza mecanismos de sobrevivência para preservar suas funções vitais. Essa resposta, no entanto, desencadeia desde alterações metabólicas até impactos cognitivos que, em casos extremos, podem ser fatais. Quando se trata de crianças, as consequências são ainda mais graves: aquelas que sobrevivem à inanição severa apresentam efeitos persistentes no crescimento e no desenvolvimento funcional ao longo da vida. Projeção da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, iniciativa apoiada pela ONU, aponta que todos os 2,3 milhões de habitantes no território estão em risco de insegurança alimentar e que ao menos 470 mil sofrem com “níveis catastróficos” de fome. Os números são incertos e contestados, mas o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas, fala em 127 mortes por fome, incluindo 85 crianças, desde o início da guerra, em outubro de 2023. O Unicef aponta também que 5.000 crianças foram tratadas por desnutrição em um período de duas semanas neste mês de julho. Pessoas saudáveis obtêm energia a partir da conversão de carboidratos em glicose, que é processada no fígado e distribuída para todo o corpo, principalmente para o cérebro. Após esgotar suas reservas de glicose, o organismo começa a obter energia da gordura. Sem alimentos, porém, o corpo recorre aos músculos para obter energia. Em crianças esse processo ocorre mais rapidamente, visto que elas têm menos reservas. O que acontece com um corpo sem comida? Até 24 horas sem comer: uso das reservas rápidas Nas primeiras horas sem alimento, o corpo recorre ao glicogênio, uma forma de glicose armazenada no fígado, para manter os níveis de açúcar no sangue. De 1 a 3 dias: produção de glicose pelo organismo Depois que o glicogênio se esgota, o organismo precisa encontrar outra fonte de glicose e passa a produzir esse açúcar a partir de aminoácidos (vindos dos músculos), de lactato e de glicerol. Esse processo é chamado de gliconeogênese. De 3 a 14 dias: uso de gordura Com a falta prolongada de glicose, o corpo busca uma alternativa mais eficiente: a gordura. O fígado começa a transformar ácidos graxos em corpos cetônicos, que fornecem energia para diversos órgãos e ajudam a preservar a massa muscular. Após 2 semanas sem comer: predominância da gordura O organismo se adapta ao jejum. O cérebro, que antes dependia quase exclusivamente da glicose, passa a usar corpos cetônicos como combustível. Isso ajuda a poupar os músculos e torna a gordura a principal fonte de energia. Falência dos órgãos Se o jejum continua por tempo demais, o corpo entra em colapso. As reservas de gordura e proteína se esgotam, e o organismo começa a consumir tecidos essenciais para tentar sobreviver. É o estágio mais crítico, com risco de morte.
FONTE/CRÉDITOS: Banda B
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