oloquei medicamento entre aspas porque, na verdade, não são medicamentos. Para um produto ser considerado medicamento ele só pode ser produzido em uma indústria farmacêutica ou em uma farmácia de manipulação. Em ambos os casos, há um farmacêutico responsável-técnico que se responsabiliza pela produção e está devidamente registrado junto ao Conselho Regional de Farmácia da sua jurisdição.
Desse modo, esses produtos não são medicamentos e configuram uma ameaça à saúde pública. Apesar de nomes e apresentações diferentes, esses produtos geralmente são indicados como se fossem fitoterápicos. Nos rótulos, não há menção sobre o registro do produto, nome e registro do farmacêutico responsável-técnico, nome e endereço da indústria farmacêutica ou da farmácia de manipulação, e-mail e telefone para contato etc. Pelo efeito relatado a mim por várias pessoas que usaram esses produtos, provavelmente há, na composição, anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol), substâncias que não entram na composição de nenhum medicamento oficialmente registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil.
Esses anorexígenos até poderiam ser utilizados, desde que estivessem em medicamentos devidamente registrados na Anvisa e somente sob uma rigorosa supervisão médica, dado os efeitos adversos importantes dessa classe terapêutica. Quando o uso dessas substâncias se dá por meio de produtos ilegais, não há como saber exatamente qual é a real composição, nem qual a concentração que cada substância se encontra nas cápsulas comercializadas. Portanto, é um grande risco usar uma substância que não se sabe a procedência, a composição e as condições de fabricação.
Na semana passada, no dia 9 de outubro, houve a prisão de um vereador de Cianorte (município do noroeste do Paraná) e do seu irmão, acusados de fabricar e vender, de forma ilegal, produtos para emagrecer. Infelizmente, esse não é um caso isolado. Tenho conhecimento de que em Palmas circulam esses produtos, só não sei quem os produz, nem quem os comercializa.
O risco que a população corre é enorme e imprevisível, já que a composição exata não é conhecida e certamente as cápsulas contêm muito mais do que simples plantinhas, informadas no rótulo.
Precisamos aproveitar o escândalo recente das bebidas com metanol, que levou diversas pessoas pelo Brasil, nas últimas semanas, à morte ou a sequelas irreversíveis, e ampliar o combate a vários outros produtos produzidos de maneira criminosa, que colocam em risco a saúde da população.
Só para citar alguns exemplos das possíveis consequências no uso desses produtos, pode-se desenvolver diarreia, perda da microbiota intestinal, confusão mental, irritabilidade, surtos psicóticos, crises hipertensivas e óbito. Sim, a morte também pode acontecer com o uso desses produtos.
Portanto, peço, encarecidamente, que quem conhecer as pessoas que vendem esses supostos medicamentos para emagrecer em Palmas dirija-se até a polícia e formalize uma denúncia. A Vigilância Sanitária do município é muito ativa e responsável, mas esse tipo de comércio ilegal foge da alçada da Vigilância Sanitária, a qual possui sua atividade de fiscalização e controle restrita a locais devidamente credenciados e habilitados para comercializar produtos para a saúde. Conto com vocês para resolvermos esse grande problema de saúde pública.
Rodrigo Batista de Almeida
Professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR).
Notícias Geral
Pessoas que vendem medicamentos para emagrecer devem ser denunciadas à polícia
“Medicamentos” para emagrecer são vendidos livremente pela Internet ou por pessoas que entregam esses produtos em domicílio.
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