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Sexta-feira, 07 de Agosto 2026
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Canetinhas mágicas: em que momento o feitiço volta contra o feiticeiro?

Canetinhas mágicas: em que momento o feitiço volta contra o feiticeiro?
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Mesmo após a diminuição dos casos de Covid-19, o mundo ainda enfrenta um grande problema. A obesidade é considerada a pandemia do século XXI e, apesar dos inúmeros impactos que pode causar, a gravidade dessa condição não parece preocupar muitas pessoas. Em um mundo onde cresce a tendência de adotar um estilo de vida mais saudável, causa estranhamento que a obesidade ainda seja um desafio tão expressivo.
Diante desse cenário, em que a obesidade se mantém como uma das maiores ameaças à saúde pública, é compreensível que a busca por métodos eficazes de controle de peso tenha ganhado destaque. No entanto, a dificuldade em manter hábitos saudáveis tem levado muitas pessoas a procurar soluções imediatistas. É nesse contexto que medicamentos como a semaglutida ganharam notoriedade — não apenas como ferramentas terapêuticas, mas como atalhos para o emagrecimento — muitas vezes utilizados fora de suas indicações. O que deveria ser um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes melito tipo 2 acabou se transformando em um produto de consumo estético, mascarando a real complexidade do problema.
O Ozempic e seus similares, desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, passaram a ser vistos como atalhos rápidos — e, em determinadas circunstâncias, perigosos — para o emagrecimento. O que havia sido criado para tratar uma condição clínica foi rapidamente apropriado por uma cultura obcecada pela magreza, reforçada pelas redes sociais e pela pressão estética em torno do “corpo ideal”.
Com a facilidade de acesso, farmácias tornaram-se vitrines de emagrecimento, e a linha entre tratar a obesidade e atender a um desejo estético se perdeu. A saúde passou a ser vista como um produto e a semaglutida, como uma “solução mágica” vendida sem o devido critério.
Estudos recentes mostram que o uso sem acompanhamento médico pode levar a complicações como distúrbios gastrointestinais, episódios de hipoglicemia e até problemas cardiovasculares. Ainda assim, muitos seguem utilizando o medicamento de forma leviana, como se não houvesse riscos — e é aí que o feitiço começa a virar contra o feiticeiro.
Em vez de promover a saúde e bem-estar, o medicamento sofreu uma grave distorção e hoje é um dos pontos que mais alimenta uma cultura obcecada pela magreza. A banalidade não está apenas no uso ou na venda, está, acima de tudo, em uma sociedade que vende magreza como sinônimo de saúde.

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Marcela Nogueira Rissardi
Maria Eduarda Poleto Kurosaki
Estudantes do Curso de Farmácia do Instituto Federal do Paraná (IFPR)

A Folha

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