No domingo (15), ocorreu a canonização da Madre Maria Domenica Mantovani, pelo Papa Francisco, no Vaticano. Ela é a co-fundadora da Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família, que ocorreu em (06) de novembro 1892, com o beato Pe José Nascimbeni.
As irmãs estão presentes na Diocese de Palmas/Francisco Beltrão há mais de quatro décadas, elas coordenam a Escola Integral Social Palmas (EISPAL).

A superiora Regional da Congregação, Irmã Inês Passarello, que esteve no Vaticano para a canonização disse, “vivemos esse momento com muita solenidade, alegria e gratidão a Deus por termos nossa primeira irmã reconhecida pela igreja como aquela que viveu o evangelho em sua humildade e simplicidade respondendo ao amor de Deus, ela nos ensina a percorrer esse caminho. O segredo é permanecer aberta ao grande projeto de Deus, em poder participar da sua vida servindo os irmãos”, reiterou.
“Pertenço a Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família, presente em Palmas há mais de quatro décadas na missão, evangelização e no trabalho de caridade. Este ano tive a grande graça de vir para a Itália participar desse importante e maravilhoso evento, a missa de canonização da Madre, agora Santa Maria Domenica Mantovani, declarada pelo Papa Francisco, na missa, realizada na Praça São Pedro às 10h, (5h de diferença fuso horário com o Brasil)”, explicou a diretora da EISPAL, irmã Marlene Rozeng e esclareceu que participou com um grupo de irmãs de todos os lugares do mundo onde a Congregação atua, ou seja, na África, América do Sul, Europa e América Latina. “Quem conhece a história de Santa Maria Domenica Mantovani, sabe o quanto ela é importante na nossa vida e agora para a igreja e ao povo de Deus, que interceda junto a ele, para nós católicos que acreditamos na santidade e vivemos o dia a dia, com esse intuito realizando boas obras. Em Palmas, temos várias graças alcançadas por interseção da Santa Maria Domenica Mantovani. Trouxe todas as intenções do povo de Deus da nossa região. Também é um momento de alegria para os membros da Pequena Casa de Nazaré (PCN), de Palmas, leigos que compartilham de nossa espiritualidade e seguem a inspiração de viver os valores da Sagrada Família de Nazaré. Que a nossa Santa Maria Domenica Mantovani, interceda para o nosso povo que acredita, confia, pede e espera a graça de Deus em todos os momentos”, finalizou irmã Marlene.
Palmas
No último dia (11), os membros da Pequena Casa de Nazaré (PCN) e membros leigos renovaram as promessas, dois novos membros fizeram a promessa pela primeira vez.
O princípio destes membros é viver o mesmo carisma das irmãs, ou seja, “Viver, Trabalhar e Sofrer por amor”.
Maria Domenica Mantovani (1862-1934)
A Serva de Deus Maria Domenica Mantovani, primogênita de quatro irmãos, nasceu em Castelletto de Brenzone, província de Verona, no dia (12) de novembro de 1862, sendo seus pais, João Batista Mantovani e Prudência Zamperini. Foi batizada no dia seguinte, 13 de novembro. Recebeu a Crisma no dia (12) de outubro de 1870 e a Primeira Comunhão no dia 4 de novembro de 1874.
Frequentou com grande proveito a escola primária, mas não pôde prosseguir os estudos por causa da pobreza da família. Supriram nela a falta de cultura os belos dotes de inteligência, vontade e grande bom senso prático. Desde criança mostrou-se muito propensa à oração e a tudo o que se referia a Deus. À base dessa profunda sensibilidade religiosa e cristã e de tanta riqueza de graça, que se desenvolveria sempre mais e irradiaria forte luz, estava o testemunho dos pais e dos familiares, gente simples, trabalhadora, honesta e rica de fé.
Fonte privilegiada, da qual a Serva de Deus bebeu em grande quantidade a sua formação cristã, foi o Catecismo que, unido aos ensinamentos da família, ajudou-a a pôr sólidas bases para, ao longo do tempo, poder construir sua personalidade humana e cristã. Casa, escola e igreja foram os campos em que foi plasmado seu caráter desde menina e deram um precioso rumo a toda a sua vida.
Transcorreu toda a juventude, até os 30 anos, na família. Cresceu sã no espírito e no corpo, distinguindo-se sempre pela bondade, docilidade, transparência de vida e singular piedade. Já nos tempos de moça, tornara-se apóstola de suas coetâneas, que formava, oferecendo-lhes boas leituras e, sobretudo, o testemunho de sua vida.
A Serva de Deus tinha 15 anos, quando o Beato José Nascimbene chegou a Castelletto, primeiro como professor e coadjutor (1877-1885), depois como pároco (1885-1922). Desde sua chegada, Nascimbene tornou-se seu diretor espiritual, seguro e lúcido, e ela sua primeira e generosa colaboradora nas muitas atividades paroquiais. Era a alma da juventude de toda a paróquia e era por todos amada e ouvida.
Dedicava-se com muito zelo ao ensino do catecismo às crianças. Visitava e assistia, com caridade evangélica, os doentes e os pobres. Inscrita na Pia União das Filhas de Maria, foi sempre fiel na observância do Regulamento, tornando-se espelho e modelo para suas companheiras, às quais, gozando de forte ascendência, transmitia boas lições de vida.
Sendo devotíssima da Virgem Imaculada, no dia 8 de dezembro de 1886, nas mãos de seu diretor e pároco Padre José Nascimbeni, fez o voto de perpétua virgindade. A devoção para com a Virgem Imaculada foi o respiro de sua alma. A intimidade com Jesus Cristo e a contemplação da Sagrada Família tornaram-se a força de sua vida.
Desejando consagrar-se ao Senhor, chegou ao conhecimento da vontade de Deus, através do bem-aventurado Nascimbene, que a quis como colaboradora na fundação da Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família (6 de novembro de 1892). Tornou-se, assim, a co-fundadora e primeira Superiora geral.
Nas atividades paroquiais e no governo do Instituto, a Serva de Deus foi sempre de grande ajuda ao Fundador, a quem queria muito bem e de quem foi sempre fiel intérprete de seus projetos e desejos.
Contribuiu muito na elaboração das Constituições, inspiradas na Regra da Ordem Terceira Regular de São Francisco, e na formação das Irmãs. Sua colaboração e o testemunho de sua vida contribuíram de modo determinante para o desenvolvimento e expansão do Instituto. Sua obra completou à do Fundador, imprimindo na espiritualidade da nova congregação religiosa as notas características que distinguiam sua vida e seu modo de agir na Igreja e no mundo. A obra do Fundador se confundia com a da co-fundadora no inculcar nas primeiras Irmãs o carisma recebido do Espírito Santo. A ação do Beato Nascimbene era intensa, forte, enérgica; a de Maria era delicada e escondida, embora também firme e longe de qualquer fraqueza. Ambas se apoiavam em eloquentes exemplos e pacientes esperas.
Nos escritos da Serva de Deus aparecem claras suas qualidades de mãe amorosa e boa, de mestra sábia e lúcida, zelosa e, às vezes, exigente.
Depois da morte do Fundador, ela, rica em virtude, sabedoria e prudência, continuou a guiar o Instituto, com fortaleza de ânimo, grande abandono a Deus e profundo senso de responsabilidade, desejosa de transmitir às filhas os ensinamentos do Fundador, para que o genuíno espírito das origens se conservasse e fosse vivido integralmente.
Antes de morrer, teve a consolação de ver aprovadas de forma definitiva as Constituições e o próprio Instituto, de ver a obra continuada por cerca de 1200 Irmãs espalhadas por 150 casas filiais na Itália e do exterior, dedicadas às mais variadas atividades apostólicas e caritativas.
A Serva de Deus, até o fim de seus dias, cresceu no caminho da santidade, dando provas de todas as virtudes, especialmente da humildade.