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Segunda-feira, 18 de Maio 2026
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“Popatapataio”: quando um medicamento é absorvido pela cultura popular

“Popatapataio” é uma palavra-frase criada pela união de vários verbetes grafados a partir da fala popular (“pó pa tapá taio”), configurando uma variação linguística baseada na pronúncia.

“Popatapataio”: quando um medicamento é absorvido pela cultura popular
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Pela norma padrão, deveria se escrever “pó para tapar talho”, ou seja, um pó para cobrir um corte na pele. Na linguagem falada, “pó para tapar talho” tornou-se “pó pa tapá taio”, que, unindo os termos, resultou em “popatapataio”.
Até há um tempo, existia um medicamento denominado Anaseptil Pó, que se tornou extremamente popular, especialmente no interior do país, pois quem trabalha em propriedades rurais enfrenta alguns desafios cotidianos, como pequenos acidentes.
O Anaseptil Pó trazia, na sua composição, a combinação de antibacterianos (polimixina B, neomicina e bacitracina) e agentes secantes (óxido de zinco e peróxido de zinco). O produto era usado em casos de ferimentos superficiais, sendo aplicado três vezes por dia.
Por décadas, o Anaseptil Pó era presença garantida em sítios e fazendas pela praticidade no uso e efeito garantido. Era muito comum as pessoas, em uma farmácia, pedirem ao farmacêutico o “popatapataio”. Hoje, se falar isso em uma farmácia, ninguém mais entende, até porque o produto foi descontinuado pelo fabricante em 2019, para tristeza de muitos, sobretudo os mais idosos e os moradores do interior.
O “popatapataio” era tão famoso que inspirou uma música dos anos 1970, de mesmo nome, gravada por diferentes intérpretes, como a dupla Sandy & Junior, em 1992. A música conta a história de um garoto, o Juninho, que fez um ferimento no pé após pisar em um caco de vidro e que, levado ao médico, recusa o tratamento proposto, que basicamente consistia em anestesia, quatro pontos e um curativo, preferindo o “popatapataio”.
O médico tenta convencê-lo: “O titio vai costurar devagarinho/ E aplicar um remedinho/ Pro seu taio não inflamar”. Juninho é taxativo: “Pode parar!/ Tira a mão do meu pé!/ Isso é problema meu”. E depois complementa: “Não quero iodo/ Nem mercúrio e Merthiolate/ Um pozinho só combate”. Aí, no refrão, o Juninho diz “Quero pó pra tapar taio, no taio/ Eu não tomo injeção/ E se não tiver pó pra taio, no taio/ Eu não deixo pôr a mão”. 
A música demonstra a popularidade do Anaseptil Pó, ganhando a preferência de muitas pessoas no caso de cortes e ferimentos diversos. Muitos fatores devem ter concorrido para esse medicamento ter se difundido com tamanha capilaridade pelo país, como o preço não muito elevado, o fato de não causar dor e a praticidade no uso. A decisão da indústria de interromper a sua produção indubitavelmente foi sentida por grande parte da população, que via nesse medicamento um alívio certo nos pequenos machucados.
É interessante notar que alguns medicamentos são apropriados pela cultura popular e ganham destaque no rol dos recursos terapêuticos adotados por determinadas comunidades. Além do Anaseptil Pó, outros produtos também conquistaram uma multidão de adeptos, como o Biotônico Fontoura, a Pomada Minâncora, o Tônico Blumen e o Elixir Paregórico, além de cosméticos, como a Água Velva (uma marca de produtos de higiene masculina), chamada popularmente de “Água Vérva”, o perfume Tabu e a Água de Rosas.
O Brasil, no século XX, experimentou todos os novos medicamentos que haviam sido lançados em escala mundial, como a penicilina, a insulina e os anticoncepcionais, por exemplo, além dos produtos desenvolvidos pela indústria nacional. Muitos desses medicamentos, independentemente de terem sido concebidos em outros países ou não, ganharam espaço nas farmácias caseiras nos lares do Brasil, principalmente na zona rural, onde, por razões óbvias, nenhum tratamento de saúde, desde os mais simples, era de fácil acesso. Enfim, “popatapataio” personifica essa característica tão peculiar da população brasileira de incorporar nas práticas populares de cura alguns produtos farmacêuticos. Estamos esperando que a indústria lance o sucedâneo do Anaseptil Pó, para voltarmos a ter um “popatapataio”. 

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Rodrigo Batista de Almeida
Professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Palmas.

Bruno Lima

Publicado por:

Bruno Lima

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