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Sábado, 01 de Agosto 2026
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Farmacocinéfilos: produção artística no filme Frankenstein

O filme Frankenstein (2025), de Guilhermo del Toro, é uma adaptação do livro “Frankenstein, ou o Prometeu Moderno”, da escritora Mary Shelley, publicado na primeira versão de forma anônima, em 1818.

Farmacocinéfilos: produção artística no filme Frankenstein
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Somente em 1831, Mary Shelley revisa os seus manuscritos e lança uma nova edição, agora assinada. Como o livro explora o impacto da ciência na sociedade, de uma forma irreal, embora parcialmente crível, Mary Shelley inaugura o gênero literário chamado de ficção cientifica. A história é desenvolvida a partir da ideia quase paranoica do cientista Victor Frankenstein de dominar a morte. Victor faz diversos experimentos e consegue criar um ser que é imortal.
Neste artigo, vou fazer um breve comentário sobre produções artísticas representadas no filme, algumas destoando, em alguma medida, do conteúdo do livro. Em uma das cenas, Victor conhece uma espécie de estúdio fotográfico, onde está sendo retratado um “memento mori”. Memento mori é uma forma de expressão artística. O seu nome é proveniente do latim e significa “Lembre-se que você vai morrer”. Essas obras se popularizaram na Europa e tinham o objetivo de servir como um lembrete para as pessoas valorizarem o presente, uma vez que, diante da inevitabilidade da morte, o importante era priorizar o momento atual, vivendo uma vida com um propósito definido.
Esse conceito era comumente representado por diferentes símbolos, como caveira, ampulheta e velas se apagando. Apesar de hoje ser lido como algo mórbido, o objetivo principal do memento mori é valorizar a vida, o presente e tudo que faz sentido ser vivido, já que o tempo é finito e essa condição de finitude é universal. Victor vai no sentido contrário, pois vive no futuro, na ilusão de poder, um dia, dominar a morte. 
Outra manifestação artística explorada no filme é o conjunto dos quadros do martírio. Elizabeth, a noiva de William, irmão de Victor, visita o laboratório onde ocorrem os experimentos. Há um corpo em uma posição que em muito lembra a posição fetal, com as pernas flexionadas e o tronco debruçado sobre as pernas fletidas, com os braços envolvendo todo o conjunto. Elizabeth, ao ver esse corpo, fala “Me lembra os quadros do martírio”. Esses quadros são uma série de pinturas que retratam o sofrimento e a execução de santos católicos. Um dos artistas que mais se destacou ao representar o martírio de santos foi Caravaggio, que pintou O Martírio de São Mateus, O Martírio de São Pedro e O Martírio de Santa Úrsula. O monstro, de Frankenstein, também está envolto em um martírio, pois dedicará a sua vida a um propósito alheio, de forma interminável (devido à imortalidade), como se fosse uma pena imposta por outra pessoa, no caso, Victor. 
Por fim, outra representação artística presente no filme é a figura da Medusa. Pela mitologia grega, Medusa foi violentada sexualmente por Poseidon no templo de Atena, que pune Medusa pela profanação do local sagrado, transformando seus cabelos em serpentes e amaldiçoando o seu olhar, o qual transforma em pedra todos que o fitassem diretamente. Mas o sofrimento de Medusa ainda não tinha acabado. Perseu, atendendo à ordem de matá-la, a decapita. A cabeça teria sido entregue a Atena, que a colocou em seu escudo. Essa imagem (da cabeça da Medusa em um objeto circular) ganhou grande popularidade, sendo usada para afastar os maus espíritos, como numa das imagens em alto relevo presente em uma das paredes do laboratório de Victor. Ao lado oposto, há um vitral, em forma circular, na mesma dimensão da cabeça da Medusa. Victor, fazendo seus experimentos no laboratório, parece estar sempre oscilando entre a superstição (representada pela Medusa) e a razão (representada pela luz, que entra pelo vitral). 
É interessante notar que as artes visuais sempre estão presentes em narrativas cinematográficas e servem como um importante enquadramento para a história como um todo. A história do monstro de Frankenstein poderia ter sido contada sem o emprego dos elementos artísticos mencionados (memento mori, os quadros do martírio e a cabeça da Medusa), mas a presença desse recurso confere mais uma camada de sentido para a obra

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Rodrigo Batista 
de Almeida – Professor 
do Instituto Federal do Paraná.  

Bruno Lima

Publicado por:

Bruno Lima

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