O que era para ser uma simples desfiliação virou guerra aberta. O Progressistas de Palmas soltou uma Nota Oficial com título de desabafo “De Manifestação e Indignação” e chamou, sem rodeios, o vice-prefeito Edson Kemes, o Lagarto, de traidor.
A gota d’água? Lagarto e a esposa pediram desfiliação da sigla na terça-feira (06). A resposta do Progressistas enviada pelo presidente municipal do partido, Dr. Júlio César Oliveira, foi pra sangrar.
Num dos trechos mais pesados, o alerta: “Quiçá os próximos partidos que ousarem abrigar esse cidadão tenham o cuidado de puxar sua folha corrida de infidelidade e descompromisso antes de cometerem o erro de aceitá-lo em seus quadros”.
Nos bastidores, duas versões: uns dizem que o racha veio do resultado fraco nas urnas. Outros garantem que a relação de Lagarto com a cúpula municipal e estadual do PP já estava podre há meses.
Lagarto não ficou quieto. Em nota, rebateu chamando a acusação de traição de narrativa e disse que foi apenas “mudança de rumo”.
“Não existe obrigação de permanecer indefinidamente em um lugar apenas porque um dia escolhemos estar nele. Vou honrar até o fim o compromisso que assumi com a população”, alfinetou.
E agora? O PP fica no Governo Municipal ou racha?
Em contato com a reportagem, Dr. Júlio disse que não vai gravar entrevista por enquanto. Vai reunir a executiva e os dois vereadores do partido para decidir se o PP continua na base do governo ou se pula de vez para a oposição.
Já o vice Lagarto disse que já falou o que tinha que falar em nota e que, por enquanto, não se manifesta mais.
Confira as notas:
Nota Oficial de Manifestação e Indignação
Partido Progressistas de Palmas vem a público manifestar sua profunda indignação e perplexidade diante do pedido de desfiliação apresentado pelo vice-prefeito Edson Ferreira Kemes e sua esposa. Recebemos esse ato com surpresa, mas, acima de tudo, com o mais absoluto repúdio diante da total falta de compromisso, lealdade e hombridade demonstrada por quem, nos últimos dois anos, cuspiu no prato em que comeu.
O Progressistas nunca faltou com seus deveres. Sempre estendemos a mão e demos suporte irrestrito: seja o robusto aporte financeiro essencial para suas vitórias eleitorais, seja o apoio moral, estratégico e operacional em todos os momentos. E o que recebemos em troca? A mais sórdida falta de lealdade, a traição deliberada e a infidelidade partidária de quem coloca a vaidade pessoal acima do projeto coletivo.
Fica aqui o alerta público: quiçá os próximos partidos que ousarem abrigar esse cidadão tenham o cuidado de puxar sua folha corrida de infidelidade e descompromisso antes de cometerem o erro de aceitá-lo em seus quadros.
Ninguém é obrigado a permanecer onde não quer. Rupturas fazem parte da democracia. Todavia, a decência e o bom senso exigem que, enquanto se faz parte de uma agremiação, se defendam suas bandeiras, sua história e seus correligionários. O que vimos aqui não foi uma divergência política ideológica; foi um ato covarde de traição.
A história nos mostra que a traição é bíblica: Judas traiu Jesus após desfrutar de sua mais íntima confiança. Na política, infelizmente, essa lógica perversa se repete. Não como uma fraqueza aceitável, mas como a pior engrenagem do oportunismo. Em um cenário de coalizões amplas e disputas internas, figuras que agem como verdadeiros “Judas” costumam abandonar o barco nos momentos críticos, movidos puramente pela ganância e pela disputa por protagonismo egoísta, mudando o rumo de governos sem qualquer escrúpulo.
Para o município de Palmas, este é um dia profundamente triste. Um episódio lamentável que escancara a enorme dificuldade de construirmos lideranças sérias, que pensem verdadeiramente no bem-estar da nossa população e que parem, de uma vez por todas, de olhar apenas para o próprio umbigo. O Progressistas de Palmas segue firme, limpo e com as mãos estendidas ao povo, expurgando de suas fileiras aqueles que não têm tamanho para a grandeza da nossa terra.
Coordenação Regional Progressistas. Progressistas Paraná. Diretoria Progressistas Palmas/PR.
Nota à Imprensa do vice-prefeito de Palmas, Edson Kemes (Lagarto)
Li a nota do Partido Progressistas, do qual eu e minha esposa nos desfiliamos, e acredito que algumas coisas precisam ser colocadas no seu devido lugar.
Antes de qualquer partido, cargo ou projeto político, existe um ser humano. E todo ser humano tem o direito de fazer escolhas, mudar de caminho e decidir onde quer estar. Isso se chama liberdade.
Minha decisão não diminui a história que construí, não apaga o trabalho que realizei e não diminui minha gratidão ao Partido Progressistas e seus membros. Pelo contrário: sigo exercendo minha função de vice-prefeito com a mesma responsabilidade e respeito até o último dia do mandato que me foi confiado.
Mas uma coisa é cumprir com honra o compromisso assumido. Outra, completamente diferente, é ser obrigado a permanecer em um ambiente político simplesmente porque algumas pessoas entendem que uma mudança de caminho significa deslealdade.
Durante muito tempo, procurei dar o meu máximo. Muitas vezes fiz mais do que estava ao meu alcance. Assumi responsabilidades, enfrentei cobranças e, não raras vezes, acabei respondendo por situações que não dependiam somente de mim.
Quem está na política sabe que nem tudo está sob o controle de uma única pessoa. Ainda assim, quando algo dá errado, muitas vezes é mais fácil encontrar alguém para responsabilizar do que reconhecer que determinadas circunstâncias simplesmente fogem das nossas mãos.
E chega uma hora em que a gente se pergunta: até quando vale a pena entregar tanto de si em um ambiente onde, por mais que você faça, parece que nunca é suficiente?
Talvez a minha decisão tenha menos relação com política do que muitos imaginam. Talvez tenha relação justamente com o desejo de reencontrar a tranquilidade que foi ficando pelo caminho.
Não existe traição em escolher a própria liberdade. Não existe falta de caráter em reconhecer que determinados ciclos precisam terminar. E não existe obrigação de permanecer indefinidamente em um lugar apenas porque um dia escolhemos estar nele.
Vou honrar até o fim o compromisso que assumi com a população. Depois disso, talvez seja hora de dedicar meu tempo, minha energia e minha vida a coisas que não dependam de partido, de alianças e de disputas.
Não sei o que o futuro reserva, mas sei que algumas portas, quando se fecham, não precisam necessariamente ser abertas novamente. Afinal, quem disse que eu quero abri-las novamente? Talvez o que eu queira para o meu futuro seja trancar a porta e jogar a chave fora, para sempre.
Saio dessa etapa com a consciência tranquila de quem sabe o quanto tentou, o quanto trabalhou e o quanto entregou.
E, às vezes, a maior demonstração de liberdade é simplesmente ter coragem de escolher um novo caminho.
Vice-prefeito Edson Ferreira Kemes (Lagarto)

Jornal A Folha