Essa pergunta incomoda. Se aquela relação machuca tanto, por que você continua?
Às vezes porque existe amor. Mas, em outras situações, porque existe medo.
Medo de ficar sozinho. Medo de começar novamente. Medo de descobrir que ninguém mais aparecerá. Medo de admitir que aquela história na qual você investiu tantos anos talvez tenha chegado ao fim.
E então aparecem pensamentos como:
“Eu nunca encontrarei outra pessoa”.
“É melhor isso do que ficar sozinho”.
“Talvez eu esteja exigindo demais”.
“Relacionamento é assim mesmo”.
“Se essa pessoa me abandonar, eu não vou conseguir”.
E, sem perceber, podemos começar a chamar medo de amor, dependência de cuidado e ausência de limites de compreensão.
Algumas pessoas não permanecem porque estão felizes.
Permanecem porque acreditam que não sobreviveriam emocionalmente à ausência do outro.
E isso merece ser olhado com cuidado.
A TCC pode nos ajudar a identificar pensamentos, crenças e comportamentos que mantêm determinados padrões relacionais. Principalmente aqueles que repetimos mesmo sabendo que nos machucam.
Existe uma pergunta desconfortável, mas poderosa:
“Se eu tivesse absoluta certeza de que conseguiria ficar bem sozinho, eu ainda escolheria permanecer nesta relação”?
Não responda rapidamente.
Pense.
Porque talvez sua resposta revele muito mais sobre o relacionamento do que você imaginava.
Relacionamento saudável não deveria significar duas pessoas incapazes de existir uma sem a outra.
Deveria existir espaço para individualidade, respeito, diálogo, limites, reciprocidade e liberdade.
Porque existe uma enorme diferença entre dizer:
“Eu não consigo viver sem você”.
E poder dizer:
“Eu consigo viver sem você. Mas a vida que construímos faz com que eu continue escolhendo você”.
Júnior Chisté, psicólogo, “escritor e palestrante. “Atende através de “vídeo-chamadas, “(49) 9 9987 9071.

Jornal A Folha