As mensagens são rápidas, as respostas são curtas e, muitas vezes, acreditamos que um simples “está tudo bem” encerra qualquer assunto. Mas nem sempre é assim.
Às vezes, um convite para tomar um café não tem nada a ver com café.
Ele pode ser um pedido silencioso de socorro.
Pode ser a tentativa de alguém dizer: “Eu preciso conversar”, sem encontrar coragem para usar essas palavras. Pode ser uma amiga cansada, uma mãe sobrecarregada, uma mulher que sorri para todos, mas que, por dentro, luta contra a ansiedade, a tristeza ou o medo.
Nem todo pedido de ajuda vem em forma de lágrimas. Muitos chegam acompanhados de um sorriso, de um “vamos tomar um café?” ou de um simples “você tem um tempinho?”.
Infelizmente, a rotina nos faz acreditar que sempre haverá outro dia. Adiamos encontros, respondemos que estamos ocupados e prometemos remarcar. Sem perceber, podemos deixar escapar a oportunidade de ser o abraço que alguém tanto precisava.
Escutar também é uma forma de amar.
Não é preciso ter todas as respostas. Não é necessário resolver os problemas de ninguém. Muitas vezes, basta estar presente, olhar nos olhos, ouvir sem julgamentos e permitir que a outra pessoa sinta que não está sozinha.
Vivemos cercados de pessoas, mas cada vez mais carentes de presença verdadeira. A tecnologia aproxima telas, mas não substitui o calor de uma conversa sincera ao redor de uma mesa.
Por isso, da próxima vez que alguém convidar você para um café, talvez valha a pena enxergar além da xícara. Talvez aquele encontro represente esperança. Talvez seja a última tentativa de alguém encontrar acolhimento antes de desistir de falar.
E, da mesma forma, se for você quem estiver precisando, não tenha vergonha de fazer esse convite. Pedir ajuda nunca será sinal de fraqueza. É um gesto de coragem e de confiança.
No fim das contas, o que realmente aquece o coração nunca foi o café.
Sempre foram as pessoas.
Vera Lucia Figueiredo Necher /
Professora, escritora e idealizadora do projeto Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR).@veralucia1234_

Jornal A Folha