Outros afirmam que trabalham porque encontraram na profissão um propósito. Entre uma realidade e outra existe um detalhe que faz toda a diferença: o amor pelo que se faz.
Nem sempre podemos escolher todas as circunstâncias da vida, mas podemos escolher a forma como exercemos nossa profissão. Trabalhar apenas por obrigação torna os dias pesados, as horas intermináveis e o ambiente desgastante. Em contrapartida, quando existe dedicação, respeito e paixão pelo trabalho, até os desafios ganham um significado diferente.
Khalil Gibran escreveu que quem não consegue trabalhar com amor deveria deixar o trabalho para aqueles que o fazem com alegria. Não se trata de desprezar quem enfrenta dificuldades, mas de lembrar que o trabalho sem propósito se torna apenas uma sequência de tarefas. Já o trabalho realizado com amor transforma vidas — a nossa e a das pessoas ao nosso redor.
Quem ama o que faz transmite entusiasmo. Recebe melhor as pessoas, trata colegas com respeito, busca aprender, procura soluções em vez de desculpas e compreende que sua profissão vai muito além do salário do fim do mês. O ambiente muda. A equipe cresce. O cliente percebe. Os alunos aprendem. Os pacientes confiam. A diferença está na atitude.
Infelizmente, existem pessoas que passam anos dizendo que estão em determinada profissão porque “não tiveram escolha”. E essa sensação acaba contaminando tudo: o atendimento, a produtividade, os relacionamentos e até a própria saúde emocional. Quando o trabalho é encarado apenas como um fardo, cada segunda-feira parece um castigo.
Amar a profissão não significa que todos os dias serão fáceis. Significa acordar sabendo que aquilo que fazemos possui valor e que podemos deixar uma marca positiva na vida de alguém. O amor pelo trabalho não elimina o cansaço, mas dá sentido ao esforço.
Talvez a grande pergunta não seja se devemos trabalhar para viver ou viver para trabalhar. A verdadeira reflexão é: estamos trabalhando com amor ou apenas ocupando um espaço?
Porque pessoas apaixonadas pelo que fazem transformam qualquer ambiente. Levam leveza onde havia tensão, esperança onde havia desânimo e inspiração onde antes existia apenas obrigação.
No fim, o maior legado de uma profissão não é o cargo que ocupamos, mas a forma como escolhemos exercê-la. Afinal, quando o trabalho é feito com amor, ele deixa de ser apenas um meio de sobrevivência e passa a ser uma expressão daquilo que somos.
Vera Lucia Figueiredo Necher /
Professora, escritora e idealizadora do projeto Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR).@veralucia1234_

Jornal A Folha