Muita gente ainda acredita que a corrupção mora em Brasília. Que é lá que tudo acontece, que é de lá que vem o mal que assola o país. Sim, é verdade: a história recente do Brasil está manchada por escândalos vergonhosos que envolveram os mais altos cargos da República, independente de partido ou ideologia. Mas se você acredita que a corrupção começa lá, está enganado. Ela começa aí, no seu município. Na sua cidade. Na sua rua.
A corrupção começa quando o voto é comprado às claras e ninguém se incomoda. Quando se troca dignidade por um favor, por um emprego, por um saco de cimento. Começa quando se vota em políticos que você mesmo sabe que não prestam, mas que “ajudaram um conhecido”. Começa quando cargos públicos são distribuídos por politicagem, e não por competência. Secretarias viram prêmio de campanha, salários gordos viram troféus de amizade. E quem paga essa conta? Eu, você, o povo.
Depois da eleição, o resultado vem como um eco abafado: falta médico, falta remédio, falta escola, falta casa, falta tudo. E o Brasil? Segue calado. Ou pior: segue aplaudindo. Porque enquanto a saúde adoece, a educação agoniza, e o povo perde o pouco que tem, alguns seguem cada vez mais ricos, inalcançáveis, intocáveis. E como já dizia aquela música antiga: “O rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre”.
Mas eu te pergunto: quem são esses ricos? São justamente aqueles que deveriam nos representar, e que só representam a si mesmos. Que se alimentam do sistema que deveria servir ao povo, mas serve aos seus próprios interesses.
Isso não é uma discussão sobre direita ou esquerda. Não é sobre seu político de estimação. É sobre decência. É sobre caráter. É sobre parar de fingir que não vê.
Ou você está entre os que aplaudiram o “MC” preso por tráfico, apologia ao crime e associação com o tráfico, e que foi solto em apenas quatro dias, como se a justiça fosse um palco para celebridades? O mesmo sistema que se cala diante do cidadão de bem que morre esperando uma cirurgia?
Não dá mais para aplaudir o erro e fingir que é cultura. Não dá mais para justificar o injustificável. Está na hora de defender o certo, e parar de se acostumar com o errado.
Porque a corrupção não começa em Brasília.
Ela começa no silêncio covarde de quem se omite.
E o Brasil só vai mudar, quando a consciência do povo mudar.
.Júnior Chisté, psicólogo, escritor e palestrante. Atende através de vídeo-chamadas,
(49) 9 9987 9071.

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