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Quinta-feira, 29 de Outubro 2026
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A força da mulher na política: não basta conquistar espaços, é preciso transformar realidades

Durante muito tempo, as mulheres foram ensinadas a cuidar da casa, dos filhos, da família e das necessidades de todos ao seu redor.

A força da mulher na política: não basta conquistar espaços, é preciso transformar realidades
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Aprenderam a ser fortes em silêncio, a enfrentar dificuldades sem reconhecimento e a encontrar soluções mesmo quando ninguém lhes oferecia apoio. Mas a história das mulheres não pode continuar sendo contada apenas pelo que elas suportam. É preciso falar também sobre o poder que possuem para transformar a sociedade.


E um dos espaços em que essa transformação se faz cada vez mais necessária é a política.
Quando falamos sobre a participação feminina na política, não estamos discutindo apenas números, cadeiras ocupadas ou candidaturas. Estamos falando de representatividade, de oportunidades e do direito de as mulheres participarem das decisões que influenciam suas próprias vidas.


Afinal, como construir políticas públicas verdadeiramente comprometidas com a realidade das mulheres se elas continuam encontrando tantas barreiras para chegar aos espaços onde essas decisões são tomadas?
A presença feminina na política é importante porque a sociedade é formada por diferentes experiências, necessidades e perspectivas. Mulheres que vivenciam os desafios da maternidade, da educação, do mercado de trabalho, do envelhecimento e da desigualdade social podem contribuir para ampliar o olhar sobre questões que, durante muito tempo, receberam pouca atenção.
Isso não significa que toda mulher pense da mesma maneira, nem que o simples fato de ser mulher garanta boas decisões. Significa reconhecer que uma democracia se fortalece quando diferentes vozes têm condições reais de participar, propor, questionar e decidir.
Entretanto, ainda existe um longo caminho entre o direito conquistado e a oportunidade efetivamente oferecida. Muitas mulheres enfrentam preconceito, julgamentos sobre sua aparência, questionamentos sobre sua capacidade e dificuldades para conciliar as responsabilidades familiares com as exigências da vida pública. Em determinados ambientes, a competência feminina ainda precisa ser demonstrada repetidas vezes, enquanto a presença masculina costuma ser recebida com maior naturalidade.
Precisamos questionar essa realidade.

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A mulher não deve ocupar um espaço político apenas para preencher uma estatística, atender a uma exigência legal ou servir de apoio a projetos conduzidos por outros. Ela precisa ter voz, autonomia, condições de liderança e liberdade para defender suas convicções.
E essa participação deve ir além dos períodos eleitorais. Não basta lembrar das mulheres quando é necessário conquistar votos. É preciso ouvi-las na elaboração das políticas públicas, na definição das prioridades dos municípios, dos estados e do país e na fiscalização das ações dos representantes eleitos.


Quando uma mulher participa das decisões, ela também pode abrir caminhos para outras. Uma menina que vê uma mulher liderando, argumentando e ocupando um espaço de poder passa a compreender que aquele lugar também lhe pertence. A representatividade não resolve todas as desigualdades, mas ajuda a ampliar os horizontes daquilo que as novas gerações acreditam ser possível.
Essa transformação começa muito antes das urnas. Começa quando uma menina é incentivada a expressar suas opiniões, quando uma mulher é respeitada em suas escolhas e quando a sociedade deixa de confundir liderança feminina com autoritarismo ou ambição com incapacidade.


Começa também nos pequenos municípios, nas associações, nas escolas, nos projetos sociais e nas comunidades em que mulheres assumem responsabilidades, mobilizam pessoas e encontram soluções para problemas coletivos. Muitas delas já exercem liderança diariamente, mesmo sem ocupar um cargo eletivo. O desafio é fazer com que essa capacidade de mobilização também encontre oportunidades nos espaços formais de decisão.
É importante compreender, porém, que a força feminina não deve ser medida pela capacidade de suportar tudo. A mulher não precisa provar seu valor pelo excesso de responsabilidades, pelo sacrifício constante ou pela obrigação de dar conta de tudo. Sua força também está no direito de escolher, de ser ouvida, de receber apoio e de ocupar espaços sem precisar renunciar à própria identidade.
Na política, essa compreensão é essencial. Precisamos de mulheres com liberdade para pensar, competência para propor, coragem para questionar e responsabilidade para representar a população. Mulheres com diferentes histórias e visões de mundo, capazes de dialogar e de colocar o interesse público acima das disputas pessoais.


Em um cenário político marcado por incertezas, a participação feminina não deve ser tratada como um assunto secundário. Ela faz parte da discussão sobre a qualidade da nossa democracia e sobre o país que desejamos construir. O Brasil precisa de representantes comprometidos com as necessidades reais da população, e isso exige que as mulheres tenham condições efetivas de participar em igualdade de oportunidades.


Não se trata de afirmar que as mulheres são melhores do que os homens. Trata-se de reconhecer que nenhuma sociedade pode aproveitar plenamente seus talentos enquanto mantém barreiras que impedem parte de sua população de contribuir.
A política precisa deixar de ser vista como um território naturalmente masculino. As mulheres não estão pedindo permissão para existir nesses espaços. Estão reivindicando o direito de participar deles com dignidade, preparo e autonomia.


Talvez a grande mudança aconteça quando uma menina não precisar mais se perguntar se poderá chegar a determinado lugar por ser mulher. Quando sua capacidade for avaliada por suas atitudes, suas propostas e seu compromisso, e não pelo gênero. Quando a presença feminina na política deixar de ser tratada como exceção e passar a fazer parte da normalidade democrática.
Porque a força da mulher não está apenas em resistir às barreiras que encontra, mas também em transformar as estruturas que as mantêm de pé.


E uma sociedade que abre espaço para a participação feminina não beneficia apenas as mulheres. Amplia suas possibilidades de ouvir, decidir e construir um futuro mais representativo para todos.
A pergunta que fica é: estamos realmente preparados para ouvir as mulheres ou ainda esperamos que elas conquistem o direito de falar repetidas vezes?
Talvez seja hora de deixarmos de perguntar se a mulher está preparada para a política e começarmos a perguntar se a política está preparada para reconhecer, respeitar e acolher plenamente a força das mulheres.

Vera Lucia Figueiredo Necher / 
Professora, escritora e  idealizadora do projeto Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR).@veralucia1234_

Bruno Lima

Publicado por:

Bruno Lima

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