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Terça-feira, 26 de Maio 2026
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A patente do Ozempic expira hoje e abre caminho para a introdução de similares no mercado farmacêutico brasileiro

Hoje, 20 de março de 2026, expira a patente do Ozempic, medicamento inicialmente desenvolvido para diabetes.

A patente do Ozempic expira hoje e abre caminho para a introdução de similares no mercado farmacêutico brasileiro
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A sua molécula ativa, a semaglutida, faz parte do grupo dos análogos do GLP-1, juntamente com a liraglutida (o protótipo do grupo) e a dulaglutida. Os análogos do GLP-1 imitam a ação do GLP-1, que é uma substância que estimula a liberação de insulina pelo pâncreas, o que justifica o seu uso para o tratamento do diabetes melito tipo 2. No entanto, o GLP-1 também causa saciedade (por ação central) e sensação de barriga cheia (por retardar o esvaziamento gástrico) e é por isso que esses medicamentos são úteis no manejo da obesidade, problema mundial crescente, com maior ênfase em alguns países, como é o caso do Brasil.
A obesidade é uma doença crônica, progressiva e recidivante. Mais de um bilhão de pessoas no mundo está com o peso acima do ideal. No Brasil, 25% da população já estão com obesidade e outros 35% estão com sobrepeso. Os números são alarmantes e refletem as mudanças no estilo de vida das últimas décadas, que combinam sedentarismo com dieta rica em alimentos altamente calóricos.
O Ozempic virou a sensação entre os brasileiros e o seu sucesso certamente foi devido à comodidade posológica (uma única administração por semana), já que o Victoza (liraglutida) exige uma aplicação por dia. Nos últimos anos, o Ozempic perdeu um pouco a fatia do mercado após o lançamento do Mounjaro (tirzepatida), pela Eli Lilly, que promove uma perda de peso ainda mais acentuada, pois é análogo tanto do GLP-1 como do GIP, uma outra incretina, que também promove saciedade e sensação de barriga cheia. O Ozempic, no entanto, nunca perdeu totalmente o seu espaço, até porque o Mounjaro tem um preço muito mais elevado, mas tudo pode mudar com a queda da patente.  
Uma patente de medicamento dura 20 anos. A dinamarquesa Novo Nordisk lançou o Ozempic em 2019, mas a solicitação de patente ocorreu ainda em 2006, e por isso a patente expirou agora em 2026. Desse modo, a Novo Nordisk teve exclusividade na exploração comercial do produto somente por uns sete anos, pois a validade da patente começa a contar desde a solicitação (que foi em 2006).
A Novo Nordisk até entrou na justiça, solicitando extensão do prazo por mais doze anos, mas o pedido foi negado. Portanto, a partir de hoje, teoricamente, outros produtos com semaglutida, que sejam cópias do Ozempic, podem ser comercializados no Brasil. Na prática, precisaremos esperar um pouco mais. Até o momento, há 14 pedidos de registro de medicamentos similares ao Ozempic, sendo que somente dois (das indústrias EMS e Ávita Care) estão em processo mais adiantado, talvez obtendo o registro ainda em 2026. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) provavelmente terá capacidade para avaliar até três pedidos de registro por semestre, de modo que vai levar um tempo para que todos esses 14 medicamentos similares cheguem às farmácias.
Com tanta concorrência, os preços certamente cairão, mas nem tanto. Por ser um medicamento biológico, o custo de produção é elevado, o que impede quedas drásticas no valor. A redução no preço talvez fique por volta de 20% e o próprio Ozempic tende a ficar mais barato, uma estratégia muito adotada pelas “Big Pharmas” após queda da patente dos seus produtos. O medicamento de referência, quando passa a ser copiado pelos similares, tem o preço reduzido para fazer frente à concorrência. E a Novo Nordisk não brinca em serviço, ainda mais no Brasil, seu oitavo maior mercado. 
Quem quiser usar uma caneta mais barata terá que convencer o seu médico, já que os produtos, por serem biológicos, não são intercambiáveis. O prescritor, portanto, precisa escrever na receita o nome específico do produto, entre as 15 (ou mais) opções que estarão à disposição (o Ozempic e os 14 similares, até onde se sabe). Enfim, agora resta esperar e ver como os novos lançamentos irão se acomodar no mercado farmacêutico nacional. 

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Rodrigo Batista de Almeida
Professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Palmas.

Bruno Lima

Publicado por:

Bruno Lima

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