Pelo título você deve estar se perguntando: “mas não é a mesma coisa?”. A resposta é um ressoante “não!”. Ambas as palavras derivam do latim, aquela língua “morta” que, na sua versão vulgar, originou cerca de dez línguas românicas (português, espanhol, italiano, francês, romeno, catalão, galego, provençal, sardo e romanche, por exemplo), mas seus significados não são iguais, apesar do equívoco habitual.
A palavra “aluno” tem origem no latim “alumnus”, que significa “aquele que é alimentado” ou “discípulo”. O termo deriva do verbo “alere”, que significa “alimentar” ou “nutrir”. Desta forma, podemos dizer que um aluno é alguém que está sendo nutrido intelectualmente, ou seja, que está recebendo conhecimento e aprendizado. Já a palavra “estudante” tem origem no latim “studiosus”, que significa “dedicado”, “zeloso”. A etimologia da palavra nos leva à ideia de uma pessoa dedicada ao aprendizado, que se empenha em adquirir conhecimento e desenvolver suas habilidades. A palavra também pode ser relacionada ao verbo latino “studere”, que significa “dedicar-se a, estudar”. A partir disso afirmamos que aluno e estudante não têm o mesmo sentido.
Mas, por que eu quis escrever sobre isso esta semana? Primeiramente, porque dia 11 de agosto foi o Dia do Estudante; segundo porque, como professor atuante em sala de aula, percebo diariamente (e em cada turma) a diferença. Primeiramente, a ideia surgiu após uma colega professora comentar que temos muitos alunos, mas poucos estudantes. A partir disso comecei a refletir sobre essa questão, que parece banal, mas nos faz analisar muitas questões, como o comportamento e o comprometimento dos discentes, quem está apenas “sendo alimentado” e quem está realmente se dedicando a adquirir conhecimento. Gostaria muito de discordar de minha colega, mas, infelizmente posso, pois apenas uma pequena parcela dos adolescentes age como estudantes de verdade.
Outra curiosidade sobre o sentido da palavra “estudante” é que ela é formada pelo processo de derivação sufixal, ou seja, acrescenta-se o sufixo (afixo, pequena palavra que, anexada após um radical, por exemplo, produz formas flexionadas ou derivadas) “-ante” ao radical (parte fundamental que carrega o seu significado básico, permanecendo constante em diferentes palavras derivadas) “estud”, passando a significar aquele que estuda, já que o sufixo “-ante” em português pode ter dois significados principais: agente da ação ou qualidade/estado.
A pouca ou nenhuma vontade de aprender por parte da maioria dos adolescentes, característica negativa desta geração, é uma atitude que desmotiva os professores em geral, que dedicam minutos e horas dos seus dias (e noites) para levar esperança e conhecimentos das mais diversas áreas, não apenas como instrução formal, mas para ampliar os horizontes intelectuais, culturais, sociais, numa forma de contribuição para a vida. A falta de reconhecimento, a indisciplina e o desrespeito constantes, e o desinteresse presentes nas salas de aula das escolas brasileiras, nos fazem pensar: “para onde caminha a humanidade?”, “o que será do futuro desses adolescentes?”, “o que será do futuro deste mundo?”. Lá em 1994 o cantor e compositor Lulu Santos já escrevia “Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”. E isso é triste. Muito triste.
Há poucos dias falei com uma turma de formandos do Ensino Médio, enquanto trabalhávamos o gênero textual curriculum vitae, sobre a chamada “geração nem-nem”, que se refere a jovens entre 15 e 29 anos que não estão estudando nem trabalhando. No Brasil, a expressão descreve jovens que não estão matriculados em instituições de ensino e não estão inseridos no mercado de trabalho e, apesar de estar apresentando uma tendência de queda, ainda atinge milhares de pessoas. As pesquisas do IBGE registraram 10,3 milhões de jovens nessa condição em 2023, o menor patamar desde 2012. Ainda que haja redução, a taxa ainda é considerada alta por especialistas. Os motivos para um jovem ser “nem-nem” são diversos e não vamos entrar a fundo nesse tema; o que devemos refletir é acerca da desmotivação dos adolescentes e jovens pelos estudos. Talvez o uso excessivo de telas tenha sua parcela de culpa, mas falaremos disso noutra oportunidade.
Sendo assim, após entendermos a diferença entre os termos “aluno” e “estudante”, pergunto aos pais: “em qual o seu filho se encaixa mais adequadamente?”. Você, professor, já havia pensado nisso? Aqueles que assistem às suas aulas estão, em sua maioria, apenas esperando para “serem alimentados”, como sujeitos passivos, ou são sujeitos ativos, verdadeiramente dedicados a adquirir conhecimento e desenvolver suas habilidades? Que consigamos superar com ânimo, força de vontade e esperança os desafios constantes que a sala de aula apresenta, e que os adolescentes e jovens se conscientizem da importância de agir positivamente para o seu êxito, assumindo os seus deveres e as suas responsabilidades no processo de aprendizagem com mais atitudes de zelo pelo saber, de empenho, como verdadeiros “studiosus”, no sentido mais puro da palavra “estudante”. Só assim teremos um futuro melhor para todos.
Diego Argenta, professor de Língua Portuguesa. Pós-graduado em Comunicação e Oratória; Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura; Neuropsicopedagogia e Letras e Artes. Mestre de Cerimônias com mais de 20 anos de experiência. E-mail: diegoargentavox@gmail.com. Instagram: @diegoargenta.mc.
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