Entre todas elas, talvez a mais preciosa seja a infância. Afinal, nas crianças depositamos nossos sonhos, nossas esperanças e a possibilidade de construir um mundo melhor.
As crianças chegam à nossa vida com a capacidade extraordinária de nos ensinar aquilo que, muitas vezes, a correria dos dias nos faz esquecer: a beleza das pequenas coisas, a força de um abraço sincero, a alegria de descobrir o novo e a importância de amar sem reservas. Em seus olhos, encontramos curiosidade; em suas perguntas, somos convidados a refletir; em seus sonhos, enxergamos um futuro que ainda está sendo desenhado.
Mas é preciso compreender que o futuro das crianças começa nas escolhas que fazemos hoje.
Não basta desejar que nossos filhos sejam adultos felizes, responsáveis, honestos e preparados para enfrentar os desafios da vida. Precisamos oferecer a eles as condições necessárias para que desenvolvam essas qualidades. Isso começa dentro de casa, com o exemplo, o diálogo, os limites e o afeto. Continua na escola, onde o conhecimento abre portas e a educação contribui para a formação de cidadãos conscientes. E se fortalece na sociedade, quando entendemos que proteger a infância é uma responsabilidade de todos nós.
Vivemos em um tempo de transformações rápidas, em que a tecnologia aproxima distâncias, mas nem sempre aproxima corações. As telas disputam a atenção, a rotina consome o tempo e, por vezes, esquecemos que uma criança não precisa apenas de brinquedos, roupas bonitas ou presentes caros. Ela precisa de presença. Precisa ser ouvida, acolhida, orientada e respeitada. Precisa saber que existe alguém disposto a interromper a própria correria para olhar em seus olhos e perguntar, com verdadeiro interesse: “Como foi o seu dia? O que você está sentindo? Quais são os seus sonhos?”.
É nesse espaço de escuta que construímos vínculos capazes de sustentar uma vida inteira.
Também precisamos olhar para as crianças que crescem sem as mesmas oportunidades. Aquelas que enfrentam a fome, a violência, o abandono, a falta de acesso à educação e tantas outras dificuldades que nenhuma infância deveria conhecer. Não podemos falar de futuro promissor enquanto tantas crianças ainda lutam para ter garantidos seus direitos mais básicos. Uma sociedade verdadeiramente desenvolvida não é aquela que apenas celebra suas conquistas, mas aquela que não deixa suas crianças para trás.
Como educadora, acredito que cada criança carrega possibilidades que precisam ser reconhecidas e estimuladas. Nem todas aprenderão da mesma maneira, terão os mesmos talentos ou seguirão os mesmos caminhos. E é justamente nessa diversidade que reside uma das maiores riquezas da humanidade. Educar não é moldar todas as crianças para que sejam iguais, mas ajudá-las a descobrir quem são, desenvolver suas capacidades e compreender o valor de suas atitudes no mundo.
Precisamos ensinar matemática, português, ciências e tantas outras áreas do conhecimento. Mas também precisamos ensinar empatia, respeito, responsabilidade, solidariedade e coragem. Precisamos mostrar que errar faz parte do aprendizado, que pedir desculpas demonstra grandeza e que o sucesso perde o sentido quando não é acompanhado de humanidade.
Afinal, de que adianta formar profissionais brilhantes se não formarmos pessoas capazes de respeitar o próximo?
Nossos filhos e alunos não aprenderão apenas com aquilo que dizemos. Aprenderão, sobretudo, com aquilo que fazemos. Observam como tratamos as pessoas, como reagimos às dificuldades, como resolvemos conflitos e como nos posicionamos diante das injustiças. Somos, muitas vezes, os primeiros exemplos de mundo que oferecemos a eles.
Por isso, antes de cobrar das novas gerações um futuro diferente, precisamos refletir sobre o presente que estamos construindo.
Que mundo estamos deixando para nossas crianças? E que crianças estamos preparando para o mundo?
Essas perguntas merecem mais do que respostas bonitas. Exigem atitudes, compromisso e responsabilidade. Exigem famílias mais presentes, escolas acolhedoras, políticas públicas comprometidas com a infância e uma comunidade disposta a proteger aqueles que ainda não possuem voz suficiente para defender seus próprios direitos.
Talvez não possamos resolver todos os problemas do mundo de uma só vez. Mas podemos começar dentro de casa, na sala de aula, nas ruas do nosso bairro e em cada oportunidade de fazer a diferença na vida de uma criança.
Uma palavra de incentivo pode despertar uma vocação. Um professor que acredita em seu aluno pode mudar sua trajetória. Um adulto que oferece proteção pode interromper um ciclo de sofrimento. Um gesto de carinho pode devolver a uma criança a confiança de que ela é importante e merece sonhar.
E é justamente por isso que não podemos tratar a infância como uma simples etapa que precisa passar depressa. A infância é o alicerce sobre o qual tantas escolhas futuras serão construídas. É tempo de brincar, aprender, imaginar, descobrir e, principalmente, sentir-se amado e protegido.
Nossas crianças são parte de nossas vidas, inspiração para nossos sonhos e protagonistas do futuro que desejamos construir. Não podemos escolher todos os caminhos que elas percorrerão, mas podemos oferecer valores, oportunidades e amor para que caminhem com dignidade, consciência e esperança.
Que nunca nos falte sensibilidade para enxergar além das dificuldades, paciência para acompanhar cada descoberta e sabedoria para compreender que educar exige muito mais do que palavras: exige exemplo.
Porque cuidar das crianças é cuidar da vida. Investir na infância é investir na humanidade. E acreditar nos sonhos de uma criança é ajudar a construir um futuro que ainda não existe, mas que já começa a nascer em nossas mãos.
Que possamos ser adultos dos quais nossas crianças sintam orgulho de se lembrar. E que, no futuro, quando olharem para trás, encontrem em nós não apenas aqueles que lhes deram a vida, mas também aqueles que lhes ensinaram a vivê-la com amor, respeito e propósito.
Nossas crianças não são apenas o amanhã. Elas são o nosso presente mais precioso.
Vera Lucia Figueiredo Necher /
Professora, escritora e idealizadora do projeto Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR).@veralucia1234_

Jornal A Folha