Medo de perder. Medo de ficar só. Medo de descobrir que talvez consigam viver sem quem aprenderam a considerar indispensável.
O medo do abandono é uma das forças emocionais mais silenciosas, e mais poderosas, que existem. Ele não grita. Ele sussurra dentro da mente. Diz coisas como: “Aguente mais um pouco… não crie problema… não confronte… não exija demais… porque, se você fizer isso, ele ou ela pode ir embora”. E assim, pouco a pouco, a pessoa começa a negociar consigo mesma. Negocia sua dignidade, suas vontades, seus limites e até seus valores.
E o mais curioso é que, muitas vezes, ela sabe que algo não está certo.
Sabe que merece mais respeito.
Sabe que certas palavras machucam.
Sabe que certas atitudes não são amor.
Mas o medo de perder parece maior do que o sofrimento de permanecer.
Então ela se adapta. Se molda. Se diminui. Tolera silêncios frios, ausências, indiferença, promessas que nunca se cumprem. Não porque não perceba. Mas porque, lá no fundo, existe uma crença silenciosa e dolorosa: “Talvez eu não consiga ser feliz sozinho”.
É aqui que nasce a dependência emocional.
Não nasce no amor.
Nasce no medo.
No medo de olhar para a própria vida e não saber quem se é sem aquela pessoa. No medo de enfrentar o vazio que se imagina existir depois de um adeus. No medo de descobrir que a própria felicidade foi entregue, pouco a pouco, nas mãos de alguém.
Mas existe uma verdade que quase ninguém conta:
Quem vive com medo constante de perder alguém já começou, aos poucos, a perder a si mesmo.
Porque relacionamentos saudáveis não se sustentam pelo medo do abandono. Sustentam-se pela liberdade de permanecer. Pelo desejo de estar junto, não pela necessidade desesperada de não ficar só.
Amor não é prisão emocional.
Amor não exige que alguém se diminua para que o outro fique.
Amor não pede que você suporte o que fere apenas para evitar um adeus.
Às vezes, o maior ato de coragem na vida de alguém não é segurar um relacionamento.
É suportar a possibilidade de perdê-lo… e ainda assim escolher não perder a si mesmo.
Júnior Chisté, psicólogo,
escritor e palestrante.
Atende através de vídeo-chamadas,
(49) 9 9987 9071.
