Ele é o chefe de Cozinha.
“Na realidade, passar o Natal longe da família é o mais difícil para o preso. Estar fechado entre quatro paredes, sem acesso muitas vezes aos familiares, sentimos essa falta. Graças a Deus, minha família me acompanha, embora morem longe para estar vindo fazer visitas, mas, sempre estamos conversando via Vídeo Conferência, mas é difícil, bem difícil”, explicou ele e reiterou que costuma dizer que Deus dá força aos detentos, “porque se não é uma religião, a fé, a pessoa acaba entrando em desespero, e entrando em desespero podem acontecer coisas piores. Sempre brinco com quem trabalha, que passa por mim, no caso se está ruim, pode piorar, ou você pode fazer melhor e melhorar a situação. Mas assim, é difícil a convivência, até mesmo com os colegas. Tem que saber dividir a tua dor, o teu sentimento de estar longe da tua família, nessa época de Natal, Ano Novo, e entender a dor e o sentimento daquele que está ao teu lado”, afirmou.
Questionado pelo repórter, qual pedido queria fazer simbolicamente ao Bom Velhinho, respondeu: “Pediria um mundo melhor, hoje, a lei é bem rígida em todos os sentidos. Antigamente a lei tinha que provar que você era criminoso, hoje, você tem que provar que é inocente. Muitas vezes isso não acontece, pediria para o Altíssimo Todo Poderoso iluminar a cabeça dos governantes, municipais, estaduais, federais e também os munícipes, que as pessoas se preparem com Deus para receber no futuro esses detentos que estão saindo para rua, que eles não voltem. Já faz alguns anos que estou “fechado”, graças a Deus, numa situação melhor, por exemplo, do trabalho. Vi muita gente sair e voltar pouco tempo depois, porque não teve oportunidade. Então, que Deus Pai Todo Poderoso, que o Papai Noel, figura mitológica, venha nos presentear com isso, a sobriedade da sociedade e dos governantes”, assinalou.
“Estar fechado entre quatro paredes, sem acesso muitas vezes aos familiares, sentimos essa falta”, acrescentou ele.

Jornal A Folha