Uma tarde que ficará marcada para sempre na memória e no coração da Comunidade Palmense. Principalmente da Comunidade do Divino. Com a “Operação Torre” - Içamento e Instalação do zimbório, popularmente chamado de cúpula, a obra se eleva para o alto e faz com que nossos olhos também se elevem em gratidão a Deus, acompanhando a Solenidade de Ascensão do Senhor. Que presente divino a Igreja Católica nos reservou para esse dia gélido!
Uma operação que parecia ser simples, todavia, em função das condições da terraplenagem recente, no entorno da capela e na sequência fortes chuvas, dificultaram um pouco o acesso, à torre, com isso, a operação se tornou mais longa e mais delicada. Mas com a competência da Empresa Alpha Alpinismo Profissional, e das prestadoras de serviços – o içamento e instalação do ápice da capela obtiveram pleno êxito.
Foram as três horas mais longas da minha vida. Mais tensas, mais intensas, mais tremidas. O coração batia tão forte que parecia emitir sons. Parecia que não cabia no meu peito. Meus dentes batiam involuntariamente. Minha voz calou e meus pés estavam congelados. Os tornozelos doíam. Cada segundo parecia uma eternidade, e toda aquela ansiedade parecia me consumir por dentro. Meu corpo parecia sucumbir, tanto frio! Tanta emoção!
Nada fácil diante dos ventos constantes, intensos e cortantes. Os termômetros marcavam uma sensação térmica de -7 graus, e sinceramente, até o espírito parecia doer com tanta frieza…
Foi um momento difícil, quase como se toda a esperança de aguentar firme até o final estivesse sendo testada, mas insistia em alimentar uma expectativa, nunca vivenciada.
Busquei ser forte, até mesmo tentei suavizar a situação com um pouco de humor, como se fosse uma tentativa de manter-me viva. Todavia, no fundo, a sensação de vulnerabilidade era enorme, e cada segundo parecia uma eternidade…
A medida que a tarefa ia sendo executada um silêncio coletivo foi se instalando. Tocou a todos que ali estavam a assistir o maior espetáculo, tendo como palco a torre da capela do Divino. O protagonista - o zimbório com sua cruz afixada em esfera estilizada, com suas linhas paralelas e os meridianos alinhados simbolizando o mundo. Lembrando Cristo sobre o mundo, Cristo sobre Palmas. Cristo sobre nossa diocese. O tempo passava, algumas pessoas buscavam o melhor ângulo, todos queriam registrar o histórico e inusitado momento, enquanto acompanhavam aquele peso de uma tonelada e meia, preso por fino fio de aço, sendo elevado para o ápice da torre da igreja do Divino espírito santo.
Ali, naquele cenário gélido, ouvi tantos depoimentos dos descendentes dos pioneiros. Histórias, lindas, de sofrimento, de garra, de superação. Ouvi também muitas palavras de gratidão, de ternura, de reconhecimento. Recebi abraços, sorrisos de satisfação.
Era uma plateia, com exceção dos curiosos, unida por um só pulsar do coração: o desejo de ver o Templo do Divino Espírito Santo concluído. Nesse espaço, eu contemplava diferentes rostos. Desfilavam na minha frente e na minha mente, faces cansadas, curiosas, sofridas, jovens, antigas… Quanto trabalho, quanta esperança. Quantas lágrimas. Quanto sonhos acalentados de ver esse momento içado… quantos sonhadores ficaram pela caminhada…..
Lembrava: quantas lindas palavras, vindas da comunidade, do clero, de Dom Edgar, incansável, sem me conhecer depositou total confiança na minha boa vontade em contribuir com a obra. Quanta generosidade de Padre Emerson, também sem me conhecer me promoveu ali nos trabalhos, me entregando a chave da credibilidade da obra. O Padre Vagner protagonista da retomada da segunda etapa…Quantas horas dedicadas. Quanta bondade das pessoas de nossa comunidade. Da Comunidade do Divino, me acolheram, me adotaram, me abençoaram. Quanta generosidade. Quantos sins. Quando bati às portas dos amigos, empresários, não empresários, e, ainda estou a bater, pois precisamos caminhar muito ainda, de mãos dadas com boa vontade, com a generosidade da população de Palmas. Quanto respeito. Quanta delicadeza. Quanta torcida para a obra ser concluída. Quanta gratidão a todos. Quanta gratidão a Deus! Aos amigos. Quanta gratidão a Palmas. E, nesse vagar entre um instante e outro, o frio se curvou e, do meu peito senti minha alma aquecida. E, nesse 29 de maio de 2025, uma tarde inesquecível para Palmas, Com o selo da Fé, no ápice da torre, instalou-se a cruz, simbolizando a Figura que tanto amo: Jesus Cristo, a estender seus braços para nos abraçar, para acolher a todos na Igreja do Divino Espírito Santo de Palmas Paraná, Amém
Assessoria da Obra Divino segunda fase, Prof. Escritora Theresinha Acco, Palmas, 30 de maio, de 2025.
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Jornal A Folha