Em casa, na sala de aula, no trabalho ou em qualquer ambiente, uma crise emocional é sempre um sinal de que o sistema interno daquela pessoa entrou no limite.
E, pela perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), isso significa que pensamentos, emoções e sensações físicas se desconectaram do equilíbrio habitual.
Por isso, antes de julgar ou tentar “consertar” alguém, vale lembrar: ninguém entra em crise porque quer.
A crise é sempre o resultado de um acúmulo, de um medo não dito, de um pensamento que fugiu ao controle, de uma dor que já estava lá bem antes de alguém perceber.
E o que podemos fazer?
Com o tempo, e com muita compaixão, aprendemos maneiras de ajudar alguém a se regular, a se reencontrar e a voltar a sentir um pouco de segurança emocional.
E compartilhar essas práticas ajuda toda uma comunidade: pais, professores, cuidadores, familiares… todos aqueles que querem ajudar mas, muitas vezes, não sabem como.
Aqui vão três diretrizes essenciais:
Dica 1 — Não grite.
Parece simples, mas é poderoso.
Gritar aumenta a ativação da amígdala — região do cérebro que dispara o alarme do medo.
Ou seja: gritar não acalma, só intensifica o estado de ameaça.
Fale baixo, fale devagar, fale com presença.
Dica 2 — Comunique acolhimento com palavras.
Na TCC, chamamos isso de resposta reguladora.
Palavras como “Eu estou aqui” ou “Está tudo bem, vamos passar por isso” ajudam o cérebro da pessoa a sair do modo de luta ou fuga e voltar para o estado de segurança.
Pequenas frases podem ser grandes âncoras.
Dica 3 — Pergunte, sem invadir:
“O que está difícil pra você agora?”
“O que está acontecendo dentro de você?”
“Quer me contar ou prefere só ficar aqui um pouco?”
Essas perguntas devolvem à pessoa o senso de controle, um dos maiores objetivos da TCC em situações de crise.
E há algo ainda mais importante:
Nunca critique uma crise visível.
Ela começou muito antes de ser vista.
Ninguém desregula “do nada” — a mente dá avisos que, muitas vezes, são ignorados pelo próprio indivíduo.
Crises não nos definem.
Elas apenas revelam os pontos onde precisamos de mais cuidado, mais apoio e mais ferramentas.
Todos nós, absolutamente todos, temos áreas na vida onde podemos perder o equilíbrio.
E está tudo bem.
Estará ainda mais bem quando houver alguém que acolha sem julgar, que escute sem atacar e que ajude sem tentar controlar.
E você?
O que faz por si mesmo quando se desregula?
E o que faz por alguém que está passando por uma crise?
Compartilhar sua experiência pode ser valioso.
Pode ajudar um pai aflito, uma mãe angustiada, um professor que tenta todos os dias manter uma sala emocionalmente segura, ou um amigo que não sabe como verdadeiramente ajudar.
Cuidar de alguém em crise também é um aprendizado.
E o acolhimento que oferecemos hoje pode ser exatamente o que nos sustentará amanhã.
Júnior Chisté,
psicólogo, escritor e palestrante.
Atende através de vídeo-chamadas,
(49) 9 9987 9071.

Jornal A Folha