A sensação de vencer o medo e superar limites é algo que atrai cada vez mais adeptos. No entanto, uma tragédia recente nos lembra que, quando a segurança falha, a adrenalina pode dar lugar ao silêncio.
O Brasil acompanhou com tristeza a morte de uma jovem durante a prática de um salto radical. Ela confiou que todos os procedimentos haviam sido realizados corretamente. Confiou nos equipamentos, na equipe e nos protocolos que deveriam garantir sua segurança. Mas um erro fatal transformou um momento de emoção em uma perda irreparável.
Casos como esse nos levam a refletir sobre a responsabilidade que envolve atividades de alto risco. Muitas vezes, o foco está na aventura, nas imagens impressionantes e na sensação de liberdade. Pouco se fala sobre os bastidores: as conferências dos equipamentos, os treinamentos constantes, a qualificação dos profissionais e o cumprimento rigoroso das normas de segurança.
A verdade é que não existe esporte radical seguro sem responsabilidade. A coragem do participante precisa ser acompanhada pela competência de quem organiza, orienta e supervisiona a atividade. Quando um único procedimento deixa de ser realizado, vidas inteiras podem ser afetadas.
Vivemos também em uma época em que a busca por experiências cada vez mais intensas é incentivada pelas redes sociais. Vídeos de saltos, manobras e desafios extremos se espalham rapidamente, inspirando outras pessoas a viverem emoções semelhantes. Mas a realidade vai muito além das imagens compartilhadas. Existe preparação, técnica e, acima de tudo, respeito aos riscos envolvidos.
A tragédia dessa jovem não deve servir apenas como notícia passageira. Ela deve nos lembrar que nenhuma emoção vale mais do que uma vida. Que a aventura precisa caminhar ao lado da responsabilidade. E que, em qualquer atividade, o cuidado nunca pode ser tratado como um detalhe.
Porque a adrenalina dura apenas alguns instantes. O silêncio deixado por uma tragédia, esse pode permanecer para sempre.
Vera Lucia Figueiredo Necher / Professora, escritora e idealizadora do projeto Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR).@veralucia1234_
Jornal A Folha