E talvez nunca tenha sido tão difícil admitir a própria dor.
A sociedade moderna nos ensinou a sorrir para as câmeras, mas não a lidar com os sentimentos. Criamos uma geração que aprendeu a esconder o cansaço atrás de selfies, a solidão atrás de curtidas e a ansiedade atrás de rotinas aparentemente perfeitas. Enquanto isso, silenciosamente, milhares de pessoas travam batalhas internas que ninguém percebe.
As redes sociais aproximaram pessoas distantes, mas também afastaram muitos de si mesmos. Hoje, muitos acordam e a primeira necessidade não é respirar fundo ou agradecer pela vida, mas verificar notificações. A felicidade passou a ser medida em visualizações. O valor pessoal parece depender da aprovação dos outros.
E assim surgem comparações perigosas. Mulheres se sentem insuficientes diante de corpos editados. Famílias acreditam que precisam demonstrar perfeição o tempo inteiro. Jovens carregam o peso de parecerem bem mesmo quando estão emocionalmente destruídos. Afinal, demonstrar fragilidade virou quase um pecado social.
Mas a verdade é que ninguém é feliz o tempo todo.
Existe dor por trás de muitos sorrisos. Existe exaustão escondida em quem vive dizendo “está tudo bem”. Existe solidão até mesmo em ambientes cheios. E talvez um dos maiores problemas da atualidade seja exatamente esse: estamos perdendo a coragem de sermos humanos.
A felicidade real não mora em filtros. Ela mora nos encontros verdadeiros, nas conversas sinceras, no abraço sem pressa, no cuidado emocional, na coragem de pedir ajuda quando necessário. Pessoas reais sentem medo, choram, cansam, falham e recomeçam. E isso não deveria ser motivo de vergonha.
Precisamos parar de criar personagens felizes para esconder sofrimentos reais. A saúde emocional precisa deixar de ser tabu. Precisamos ensinar nossos filhos que sentir tristeza não é fraqueza. Que não existe problema em não estar bem todos os dias. Que a vida real não é editada.
Talvez esteja na hora de trocarmos a necessidade de parecermos felizes pela coragem de sermos verdadeiros.
Porque, no fim, o sorriso mais bonito não é o perfeito. É aquele que nasce de uma alma em paz.
Vera Lucia Figueiredo Necher
Professora, escritora e
idealizadora do projeto
Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR). @veralucia1234_
Jornal A Folha