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Sábado, 03 de Outubro 2026
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As Marcas Que Permanecem

Há notícias que chegam e, antes mesmo de encontrarmos palavras para dizê-las, já nos deixam um silêncio por dentro. Esta é uma delas para Palmas e, de modo muito particular, para a vida da EISPAL.

As Marcas Que Permanecem
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A troca de uma administração é um fato comum, faz parte dos caminhos de uma instituição. Mas a ausência das Pequenas Irmãs da Sagrada Família provoca outra sensação: desconforto, preocupação e uma espécie de vazio difícil de explicar.
É como se uma janela de conhecimento, acolhimento e cuidado, aberta há tantas décadas para esta cidade, estivesse prestes a se fechar. E algumas janelas, quando se fecham, não deixam apenas um espaço vazio. Mudam a paisagem. Deixam a cidade um pouco mais silenciosa, um pouco menos iluminada e triste.


Uma presença que fez parte da formação de milhares de vidas, por mais de quatro décadas, e que, agora, deixará de estar entre nós.
Mas ficará a lembrança de tudo o que as Irmãs construíram ao longo desse tempo. Fizeram história. Deixaram memória. Mais do que isso: deixaram aqui parte de suas próprias vidas.
Deixaram sangue e suor. Criaram raízes. Conheceram o cansaço. Fizeram calos nas mãos, nos pés e, tantas vezes, na alma. Enfrentaram os ventos gélidos que cortam nossos campos e fustigam a face, as frias manhãs envoltas pela brancura da neve, as geadas que amanheciam sobre a terra e endureciam os dias dos tantos invernos de Palmas.
E nada pareceu arrefecer o coração dócil dessas queridas Irmãs. Nem o frio rigoroso, que tantas vezes vestia de cinéreo silêncio a cidade e o campo, nem as dificuldades de cada dia foram capazes de diminuir a força de sua presença, a delicadeza de seu cuidado ou a fidelidade à missão que abraçaram.
Permaneceram quando era preciso permanecer. Trabalharam quando o trabalho exigia mais do que as próprias forças. E seguiram, com simplicidade e fé, fiéis à missão que receberam e ao bem que escolheram semear.
Cuidaram da saúde física e nutriram a alma de um número incontável de crianças e adolescentes. Acolheram, ensinaram, orientaram. Fortaleceram famílias. Ajudaram a formar pessoas e consciências e, silenciosamente, foram escrevendo também a própria história de Palmas.
E fizeram tudo isso deixando marcas que não se medem apenas por números ou anos de existência. Medem-se pelas vidas que tocaram, pelos caminhos que ajudaram a abrir, pelas lembranças que permanecem e por tudo aquilo que cada pessoa levou consigo depois de passar por suas mãos.
No afã dos dias, entre o trabalho, o silêncio, o cansaço, as tantas exigências da missão e na intimidade com Deus, foram fortalecendo a fé, esse fio delicado e forte que o tempo não rompe.
Talvez seja por isso que esta notícia provoque tanto silêncio. Porque não estamos apenas diante da ausência de algumas pessoas.
Estamos diante da partida de uma presença que se tornou parte da memória desta cidade.
As Irmãs partirão, mas aquilo que construíram permanecerá nas pessoas, nas famílias e nas muitas páginas da história que ajudaram a escrever.


Porque há presenças que o tempo não consegue levar. Permanecem naquilo que ensinaram, no bem que fizeram e, sobretudo, no coração daqueles que um dia foram alcançados por elas.
Muito Obrigada por tudo o que fizeram e pelo legado que deixaram nessa Terra.
Deus as abençoe e as acompanhe na nova jornada.
Grande abraço com carinho,
Prof. Theresinha Acco, Palmas, 21 de setembro de 2026.
Cara Irmã Dirce,
Na terça-feira, após a celebração da Missa das 19h, ouvi, pela Rádio Catedral de Palmas, na voz da Irmã Lúcia, uma notícia que eu não desejava ouvir.

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Depois de alguns instantes, quando consegui respirar e aquietar o coração, fui tomada por um silêncio incomum. E foi nesse silêncio que escrevi estas poucas linhas, que agora dedico a você e por extensão às demais Irmãs, como forma de gratidão por tantos ensinamentos que recebi durante o tempo em que você esteve no CIMMAD.
Entre tantos aprendizados, guardo, como uma das maiores catequeses que recebi de você, aquela frase que jamais esqueci:
“Theresinha, não esqueça de ver Cristo na face de cada criança”.
Guardo-a até hoje, como quem guarda uma pequena luz para os caminhos que o tempo ainda há de revelar.
Gratidão, sempre.
Theresinha.

Bruno Lima

Publicado por:

Bruno Lima

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