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Quinta-feira, 28 de Maio 2026
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Boletim do IDR-PR aponta que Palmas é um dos municípios aptos para o cultivo de Oliveiras

O boletim técnico do IDR-Paraná traz orientações para reduzir riscos climáticos e melhorar o planejamento e o sucesso da olivicultura no Paraná.

Boletim do IDR-PR aponta que Palmas é um dos municípios aptos para o cultivo de Oliveiras
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Sessenta e nove municípios da zona meridional do Paraná são aptos ao cultivo de oliveiras. A informação é do boletim técnico Riscos climáticos para a olivicultura no Estado do Paraná, publicado pelo IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, Iapar-Emater), obra que oferece informações técnicas para reduzir riscos, orientar o planejamento de investimentos e ampliar as chances de sucesso de pomares comerciais no Estado.

Foto: Azeitonas
Foto: Azeitonas

A publicação preenche uma das principais lacunas da cadeia produtiva, a falta de informações regionalizadas sobre o cultivo da espécie. O trabalho delimita áreas adequadas ao cultivo, indica os períodos mais adequados para implantação de pomares e apresenta critérios para a escolha de cultivares adaptadas às condições paranaenses de solo e clima.
Os 69 municípios de menor risco climático para a olivicultura se localizam nas regiões mais altas dos Campos Gerais, Centro-Sul, Sudoeste e Sul do Paraná. Entre eles estão Campo Largo, General Carneiro, Guarapuava, São Mateus do Sul, Palmas, Pato Branco, Piraquara, Prudentópolis, Rio Negro e União da Vitória.
O principal diferencial dessas regiões é a combinação entre altitude e disponibilidade de horas de frio durante o outono e o inverno, fator indispensável para o desenvolvimento adequado e uma boa floração das plantas.
Clima 
A oliveira necessita de um período de frio para entrar em dormência e estimular a brotação e a formação das flores. Sem esse processo, a produção pode ficar comprometida. “O sucesso da olivicultura depende da associação entre a cultivar e as condições climáticas. O produtor precisa conhecer os riscos antes de investir”, destaca a engenheira-agrônoma e extensionista do IDR-Paraná Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, uma das autoras do boletim.
Estudo 
O estudo se baseou em uma série de mais de 30 anos de dados meteorológicos provenientes do IDR-Paraná, do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) e do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Foram analisadas as variáveis decisivas para a cultura, como acúmulo de horas de frio, risco de geadas, excesso de chuva no florescimento, estiagem na fase de maturação dos frutos e níveis de umidade relativa do ar, para a elaboração de mapas de zoneamento climático e classes de risco para diferentes grupos de cultivares.
Cultivares 
De acordo com o boletim, as cultivares de menor exigência em frio vêm apresentando os melhores resultados comerciais no Paraná, com destaque para Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo.
Para a diretora de pesquisa e inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, o estudo apresenta um avanço importante para a consolidação da olivicultura no Estado. “Estamos entregando ao setor produtivo uma ferramenta capaz de reduzir incertezas e qualificar a tomada de decisão. Esse tipo de conhecimento é fundamental para estimular uma atividade com grande potencial de agregação de valor à agricultura paranaense”, avalia.
O trabalho também alerta para cuidados importantes dentro das próprias propriedades, áreas baixas, sujeitas ao acúmulo de ar frio e umidade excessiva, por exemplo, podem aumentar o risco de geadas e doenças, mesmo em municípios considerados favoráveis, e destaca a necessidade de intercalação de cultivares para garantir polinização cruzada e melhorar a produtividade dos pomares.
Potencial  
Apesar dos desafios impostos pelo clima subtropical, especialmente o excesso de chuva e umidade durante o florescimento, a olivicultura vem crescendo nas regiões Sul e Sudeste do País. A qualidade dos azeites produzidos no Brasil já conquista reconhecimento nacional e internacional.
No Paraná, o potencial produtivo está associado às regiões onde o clima favorece o acúmulo de horas de frio necessárias ao ciclo das plantas. O boletim aponta, entretanto, gargalos importantes a serem superados, como a obtenção de cultivares mais adaptadas ao clima, a ampliação de programas de melhoramento genético, a produção de mudas certificadas e o aprimoramento das técnicas de manejo.
Compartilham ainda a autoria da publicação os pesquisadores Pablo Ricardo Nitsche, do IDR-Paraná, juntamente com Marcos Silveira Wrege, Itamar Antônio Bognola, Márcia Toffani Simão Soares e Elenice Fritzsons, todos ligados à Embrapa.

Foto: Trabalhadores
Foto: Trabalhadores

Palmas  
Em abril, foi publicada uma reportagem destacando a produtividade das oliveiras de Palmas e também a estratificação do Óleo de Oliva, que ocorre em uma agroindústria de Campo Erê (SC). Na ocasião, foi entrevistado o gestor da Unidade do IDR PR de Palmas, Wilson Schveiczrski.
Destacou que o espaçamento no plantio tradicional é muito grande entre plantas e linhas. “No modelo tradicional gira em torno de 7 metros entre linhas, e 5 metros a 7 metros, entre plantas, com uma produção em torno de 200 a 250 plantas por hectare. Com uma produção em torno de 13, 14 quilos por planta, porque é uma planta gigante, e com isso vem uma série de problemas de colheita, de poda. No IDR de Palmas, instalamos essa coleção bem adensada. É um plantio feito num espaçamento entre linhas de 4 metros e espaçamento entre plantas 1,5. Em 1 hectare, temos 1.880 plantas. Porém, é possível que nesse espaçamento as plantas produzam um pouco menos do que no sistema tradicional. É óbvio que as nossas plantas são menores, mas, no geral, a produtividade por hectare nesse sistema adensado se sobressai muito, é uma tendência mundial. Inclusive na Argentina, se comenta em plantio adensado. Acredito que é uma técnica que vai se firmar e novos produtores vão entrar na cultura”, informou.
Produtividade
Acrescentou que esse ano, a produtividade foi razoável, “poderíamos ter 40, 50% há mais, mas, na época da florada, que foi do dia (10) ao dia (20) de setembro, houve um período de intensas chuvas, e o pólen da oliveira é muito leve, cai. Porque não existem insetos que polinizam as oliveiras, é só através do vento”, assinalou ele e comentou que a média da colheita em Palmas é de 3 kg a 4 kg por planta, “é uma produtividade excepcional, devido a intempérie do tempo, da chuvarada na florada”.

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Bruno Lima

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Bruno Lima

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