Algumas surgem por um instante.
Não para nos dar garantias, mas para nos dar uma escolha.
Atravessar ou permanecer onde estamos.
E talvez uma das coisas mais difíceis da vida seja compreender que existem portas que, depois de atravessadas, não nos permitem voltar a ser exatamente quem éramos.
Há decisões que mudam relações.
Há oportunidades que mudam destinos.
Há despedidas que reorganizam nossas prioridades.
Há encontros que nos transformam.
E há dores que, mesmo sem pedirmos, acabam nos ensinando uma nova maneira de olhar para a vida.
O problema é que muitas vezes permanecemos diante da porta esperando uma certeza.
Queremos um sinal.
Uma garantia.
Alguma coisa que nos diga:
“Pode ir. Vai dar certo”.
Mas a vida raramente funciona assim.
Às vezes, amadurecer é justamente aprender a tomar decisões mesmo quando ainda existem dúvidas.
É atravessar com medo.
É seguir sem conhecer todo o caminho.
É compreender que coragem não significa ausência de incerteza.
Coragem é não permitir que a incerteza decida a nossa vida por nós.
Talvez seja por isso que algumas portas se fechem depois que passamos.
Não como castigo.
Mas para que paremos de gastar a vida tentando reconstruir aquilo que ficou para trás e comecemos a descobrir aquilo que ainda existe à nossa frente.
Porque nem tudo aquilo que você deixou para trás foi uma perda.
Algumas coisas precisaram terminar para que outras pudessem começar.
Algumas pessoas precisaram partir para que você pudesse se reencontrar.
Algumas versões suas precisaram morrer para que uma nova pudesse nascer.
E talvez, hoje, exista uma porta diante de você.
A pergunta não é apenas:
“O que existe do outro lado?”
A pergunta mais importante talvez seja:
“O que pode acontecer com a minha vida se eu nunca tiver coragem de atravessá-la?”
Porque algumas oportunidades voltam.
Outras passam pela nossa vida uma única vez.
E viver também é saber reconhecer quando chegou a hora de abrir a porta, agradecer pelo que ficou para trás…e seguir.
Júnior Chisté, psicólogo, “escritor e palestrante. “Atende através de “vídeo-chamadas, “(49) 9 9987 9071.

Jornal A Folha