Na quadra de esportes do Colégio Estadual Quilombola, Maria Joana Ferreira, ocorreu um momento histórico com o lançamento do livro “Do sonho à realidade”, que conta a história dessa instituição educacional de Palmas. Também foi celebrado o aniversário da Patronesse da comunidade quilombola Adelaide Maria da Trindade Batista, Maria Joana Ferreira. Paralelamente, ocorreram apresentações culturais, incluindo a capoeira.
“Nós sempre sonhávamos em ter um colégio para o ensino fundamental (5ª a 8ª), porque as crianças sempre terminavam as séries iniciais e tinham que ir para outras instituições educacionais, era muito longe, faltava transporte, as dificuldades eram imensas, muitos alunos desistiam”, confidenciou a autora do livro, a Matriarca Maria Arlete Ferreira, e ressaltou alguns encontros que ocorreram com diversas autoridades, incluindo o chefe da Diversidade Estadual da Educação, Wagner Roberto Amaral, para que fosse viabilizada a construção do colégio. “Em um encontro que participávamos em Guarapuava, em outra comunidade quilombola, recebemos a notícia que o sonho iria se tornar realidade, o governo federal liberou a construção no estado do Paraná de dois colégios estaduais quilombolas, um era em Palmas. Fizemos o ofício, com a justificativa e o documento foi entregue em mãos na Secretaria de Estado da Educação, em 2008. Depois disso, em 15 dias a Secretaria de Estado da Educação (SEED) orientou o Núcleo Regional de Educação de Pato Branco, para agilizar o funcionamento do colégio. O nosso foi o primeiro Colégio Estadual Quilombola do Paraná”, afirmou.
Reiterou também que a escola tem as suas especificidades, não fugindo dos currículos escolares do Estado, “porém, é implantada a cultura das comunidades quilombolas, em cada disciplina tem que fazer o trabalho e implantar a cultura, e assim, nosso colégio começou com uma sala, tudo emprestado até chamar os professores do Estado, através do Processo Seletivo Simplificado (PSS).
Nossa primeira diretora foi a Professora Ana Giacomassa de Oliveira”, esclareceu a Matriarca e destacou que na atualidade a escola é uma potência, “fizemos a troca do terreno do Estado com todas as crianças do município, que eram menos, e hoje temos o ensino médio, o Tempo Integral, laboratórios de ciência, de informática. Convido a nossa comunidade para fazer uma visita ao colégio”.
Ao final da entrevista concluiu, “quis escrever o livro, porque tudo na sociedade se transforma, tudo muda, temos que contar a nossa história, deixar escrito”.

Jornal A Folha