Segundo as informações divulgadas, um detalhe que jamais poderia ser ignorado teria sido esquecido: a corda de segurança não estava presa.
E talvez seja justamente isso que mais assusta.
Estamos vivendo tão depressa, tão distraídos, tão ocupados com mil coisas ao mesmo tempo, que, em alguns momentos, deixamos de perceber o que realmente importa. Perdemos a capacidade de olhar com atenção, de conferir mais uma vez, de fazer a pergunta que pode salvar uma vida.
A pressa nunca foi uma boa conselheira. A distração, muitas vezes, cobra um preço alto demais.
Esse episódio também nos lembra que não podemos entregar nossa segurança cegamente nas mãos de outras pessoas. Se vamos praticar um esporte radical, realizar uma aventura ou participar de qualquer atividade que envolva riscos, precisamos perguntar, observar, entender os procedimentos e conhecer quem são os profissionais responsáveis.
Cuidar da própria vida não é sinal de desconfiança.
É sinal de responsabilidade.
Mas há uma reflexão ainda mais profunda.
Vídeos mostram que algumas pessoas perceberam que algo parecia errado. Houve questionamentos. Houve dúvidas. E, mesmo assim, a situação seguiu adiante.
Isso nos faz pensar em quantas vezes, no nosso dia a dia, enxergamos que algo não está certo e preferimos acreditar que alguém já verificou, que outra pessoa vai agir ou que não é problema nosso.
Talvez a vida esteja nos lembrando que a atenção é uma forma de amor.
Olhar pelo outro é uma forma de cuidado.
Ter coragem de interromper uma situação quando existe dúvida pode ser um ato capaz de mudar um destino.
Que essa tragédia não seja apenas mais uma notícia que será esquecida em poucos dias.
Que ela nos ensine a desacelerar.
A sermos mais responsáveis.
A estarmos verdadeiramente presentes.
Porque uma vida inteira pode depender de um único detalhe.
E nenhum detalhe é pequeno quando o que está em jogo é a vida de alguém.
Júnior Chisté, psicólogo,
escritor e palestrante.
Atende através de
vídeo-chamadas,
(49) 9 9987 9071.
Jornal A Folha