esus Cristo, o Emanuel, somos convidados a percebermos os frutos que foram colhidos na fé, nos compromissos batismais e eclesiais, nossos frutos no campo da reconciliação, do amor e da esperança. Podemos perguntar-nos: Quais foram as novas atitudes que tomamos ao confrontar-nos com Jesus Cristo e seu projeto de reino, o projeto de salvação? Comecemos nossa reflexão com um dos temas centrais do Ano Jubilar que é a conversão. Conversão se dá com o arrependimento. Ouvindo uma parábola de Jesus, como uma das oportunidades, senão a única, à mudança de vida e mentalidade, porque todos necessitam de arrependimento.
E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’” (cf. Lc 13,6-9).
A figueira pode ser símbolo de Israel. Podemos alargar o seu significado, estendendo-o à Igreja, à Diocese, às paróquias e comunidades. Podemos estender a parábolas às nossas famílias, às instituições gerais, mas enfim, à sociedade. Um dado interessante dessa parábola é a intercessão do vinhateiro a favor da figueira pedindo moratória, suplicando a suspensão e adiamento dos resultados. Embora Jesus introduz o tempo de tolerância, o tempo de paciência, cada árvore, cada cristão, cada tempo jubilar e ocasiões especiais, pode esgotar seu tempo de tolerância. Lucas ensina aos discípulos de Jesus de ontem e os que estamos vivendo hoje, o tempo jubilar, que Jesus é compassivo, mas não irresoluto. Ele exige que os pecadores se arrependam antes que seja tarde demais.
Figueiras com frutos, figueiras sem frutos...
Jubileu é tempo de conversão, de arrependimento e de vigilância. A cada dia o Evangelho de Jesus Cristo, a razão do Ano Santo, nos admoesta sobre alguma realidade que necessitamos mudar e precisamos arrepender-nos. Somos exortados à conversão de verdade, porque na conversão está a nossa salvação. É que Jesus nos interpela nesta parábola da figueira infrutífera. Importante é saber que Deus tem paciência e nos dá sempre novas oportunidades, uma última tentativa: “Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Caso contrário, corta-a”.
Por um lado, esta é uma parábola de compaixão, que produz consolo no discípulo que tropeça no caminho cristão, no seguimento de Jesus, na vivência dos valores do Evangelho. Por outro lado, é uma parábola de crise, que deveria acender um fogo entre procrastinadores e outros discípulos cristãos infrutíferos. Às vezes, por hábito optamos pelo adiamento ou atrasar nossas atividades, tarefas e compromissos assumidos, quem sabe, no início do Ano Jubilar, como por exemplo, a realização e a busca do Sacramento da Reconciliação, e em consequência disso, perdendo a oportunidade de lucrar as Indulgências e as graças que obtemos como buscamos a Confissão!
Então, cada Tempo Jubilar é um tempo de conversão. É um tempo único e extraordinário! Um tempo que nunca deveríamos extraviá-lo as oportunidades que nos são oferecidas pela Igreja. Um tempo onde Deus nos oportuniza as mudanças necessárias para sermos autênticos discípulos missionários, produzindo frutos abundantes de fraternidade, justiça, de comunhão, de amor, de oblatividade e caridade e neste ano fomos convidados a produzir frutos e obras a partir da virtude da esperança.
“Ainda um ano”
Mas o camponês, que trabalha naquela terra, ama aquilo que plantou, capinou, regou e fertilizou. O vinhateiro, como se sabe, ama a vinha como uma esposa; por isso ousa interceder junto ao dono: “Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás!” (Lc 13,8). Esse ano é a duração de nossa história, que dura sempre ainda um ano, por intercessão do Filho, que cumpre aquilo que o Pai quer. “Esse ano” adicionado é o ano da graça, inaugurado por Jesus, em Nazaré, num sábado, durante a liturgia, na Sinagoga (cf. Lc 4,18ss), que chega até nós, e em 2025, estamos podendo viver o Ano da Graça do Senhor. Logo, portanto, todos os anos sucessivos são “ainda um ano”, que se prolonga para fazer o anúncio, e a mesma oferta às sucessivas gerações. São dois mil e vinte cinco anos de anúncio de uma “Grande Notícia” (cf. Lc, 1,28): Deus enviou-nos o seu Filho Amado para nos salvar! Para isso, convertamo-nos de uma vida estéril, infrutífera e sem sentido. Não podemos ser cristãos improdutivos e que ocupemos nossos espaços somente com belas e frondosas folhas, todavia, sem frutos.
Ano Jubilar: A paciência de Deus!
Este é o sentido profundo da história: é o “ano” da paciência, da benevolência, da bondade e da misericórdia Deus, uma dilatação da salvação e um adiamento do julgamento, sempre por mais um ano, então até agora e até o fim. Por isso, é preciso anunciar o Evangelho, para abrir a todos o amor do Pai em Jesus Cristo. É preciso cavar fundo em nossa existência cristã e católica, com “adubos de qualidade” a fim de que os frutos do Ano Jubilar sejam notados e duradouros na família, na comunidade e na sociedade.
Por fim, o Jubileu é um sinal de reconciliação, pois abre um “tempo favorável” (cf. 2Cor 6,2) para a própria conversão, um tempo para produzir muitos frutos ao Reino de Deus. Um tempo de conversão e retorno às fontes do cristianismo. É o tempo de “olhar fixo em Jesus Cristo”, colocando-o no centro de nossa existência humana e cristã. Jubileu é a oportunidade de a cada vinte e cinco anos aproveitar esse tempo para redescobrir o valor da fé, do seguimento a Jesus Cristo, dos Sacramentos, da comunidade eclesial, vivendo com convicção as virtudes teológicas da fé, da esperança e do amor e convictos que somos no tempo presente “peregrinos de esperança”.
Dom Edgar Xavier Ertl
Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
Publicidade
