Nesse sentido, a possibilidade de qualquer economia de tempo no dia a dia torna-se uma sedução. Neste artigo, gostaríamos de abordar algumas questões relacionadas à alimentação, explorando como a promessa de praticidade de muitos alimentos que encontramos facilmente nas prateleiras pode comprometer a nossa saúde e como, muitas vezes, as aparências dos alimentos que escolhemos falam mais alto que a escolha por uma boa alimentação.
São muitas as opções que encontramos, especialmente nos supermercados, que prometem cumprir a função de otimizar o nosso tempo na cozinha, adicionadas, ainda, a uma possível vida saudável. A depender do público, a linguagem escrita é a que seduz: “fit”, “natural”, “zero” (açúcar, gordura, lactose) etc. Para outros, são as cores, formatos e texturas disfarçados de saudáveis em embalagens que camuflam seus reais conteúdos, com nomenclaturas e medidas que geralmente desconhecemos ou não conseguimos relacionar com o tema saúde. Assim, também, nessas escolhas, deixamos passar os verdadeiros impactos a longo prazo desses alimentos no nosso organismo, o que, também, as caprichadas embalagens pouco informam.
Assim, vale a pena saber um pouco mais sobre o que são os ultraprocessados e talvez possamos minimizar seus prejuízos para nossa saúde. É importante entender quem são e como identificá-los para, quem sabe, substituí-los! Vale a pena, também, saber a diferença entre alimentos in natura, processados e ultraprocessados, afinal, cabe nos questionarmos se queremos comprar comida ou apenas uma bela embalagem para descartarmos depois.
As categorias in natura, processados e ultraprocessados são denominadas pelo Ministério da Saúde e acatadas pela Anvisa. In natura, ou minimamente processados, são os alimentos que não passaram por alterações ou que foram submetidos minimamente a processos industriais, mas que não alteram as composições originais do alimento in natura. Basta pesquisar e ver que a lista é imensa e pode estar presente diariamente na nossa mesa em diversos formatos.
Os alimentos processados incluem todo tipo de conserva e alimentos fabricados industrialmente, ou seja, que ganham um prazo de validade estendido, um sabor e aparência alterados por adição de outros produtos que mudam sua composição original. Já os ultraprocessados guardam na sua composição muito pouco do alimento in natura (original) e de seu valor nutricional, contendo em sua maioria aditivos a partir de diversas formulações, que são os conhecidos corantes, aromatizantes, saborizantes, isto é, produtos puramente industriais. Esses são os que mais potencializam problemas de saúde como obesidade, diabetes, hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares, por exemplo.
Já falamos em outro artigo sobre algumas estratégias para verificação dos alimentos que consumimos, como atenção ao destaque das lupas de advertência nas embalagens, leitura de rótulos e preferência por alimentos não embalados. Contudo, se a estratégia do marketing está em nos oferecer praticidade e tempo extra, precisaremos muito mais de conscientização sobre as promessas do mercado e de responsabilidade para guiarmos nossos hábitos de consumo e preservarmos a nossa saúde. Pelo que estamos pagando ao desembalar um produto e quanto mais ele nos custará a longo prazo?
Kátia Cilene Silva Santos Conceição
Estudante do Curso de Farmácia do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Palmas
Rodrigo Batista de Almeida
Professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Palmas.
