No dia (18) de fevereiro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançou oficialmente a Campanha da Fraternidade 2026, em Brasília, com o tema ”Fraternidade e Moradia” e o lema ”Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a iniciativa convida a Igreja e a sociedade a refletirem sobre a moradia como direito fundamental e expressão concreta da dignidade humana.
Sobre essa temática, a reportagem entrevistou o bispo da Diocese de Palmas/Francisco Beltrão, Dom Edgar Xavier Ertl. “A Campanha da Fraternidade não substitui o tempo da quaresma, pelo contrário, o tempo da quaresma, que é penitencial de oração, jejum, e também de caridade, de esmola. Então, os bispos do Nordeste pensaram em 1962, 1963, em juntar ao tema bíblico, litúrgico, celebrativo, com as realidades sociais. Sendo assim, surgiu essa abençoada ideia de que também junto com o tempo de conversão pudéssemos rezar, meditar e termos ações concretas de algum tema relacionado à vida dos brasileiros”, relatou o bispo e destacou que dessa maneira a Campanha da Fraternidade, de modo muito simples foi ganhando corpo, nos primeiros anos, no Nordeste, depois sendo incorporada e assumida como uma proposta de toda a Igreja do Brasil. “Hoje, são 280 dioceses em todas as dioceses do Brasil, com um tema social, que diz respeito à vida, que atinge a vida das nossas famílias, nossos povos e da realidade brasileira. Ela se tornou tão importante de que todos os anos temos recebido, desde São João Paulo II, uma mensagem na Quarta-feira de Cinzas, do Papa direcionada, enviada para o povo brasileiro, dando estímulo e fortalecendo ainda mais a importância da Campanha da Fraternidade para a Igreja do Brasil”, assinalou Dom Edgard.
Moradia
De acordo com o bispo, o tema geral é para despertar, sensibilizar o povo brasileiro, sobretudo os católicos, de que a morada não é uma opção de vida, mas, faz parte da própria natureza. “Todo ser vivo, todos têm o seu lugar, o seu habitat. Ele veio morar entre nós, significa que Jesus, o Filho de Deus, também teve uma casa, uma família, um lar. Na natureza da humanidade, ter um lar, uma casa, está dentro da dignidade. Todos nós precisamos de um lugar. A casa significa referência , um ambiente onde estou com a minha família ou sozinho, não importa. Esse ambiente pode ser na zona rural, na cidade, num apartamento, num condomínio, numa grande capital como numa pequena cidade do estado ou do mundo, qualquer lugar”, observou ele e relatou que a casa, é um objeto de identificação com todos nós. “E os objetivos específicos é também essa sensibilização do poder público. Não significa que agora, nós todos, a Igreja, vai sair construindo casas, mas, queremos desencadear um processo de reflexão com os poderes públicos a respeito disso, que sejam facilitados projetos, financiamentos, terrenos, porque também existe exploração muito grande às vezes em relação aos terrenos, às moradia, a questão do salário que é baixo, nem sempre as pessoas com um certo tipo de trabalho conseguem adquirir uma casa”, afirmou e comentou que a sociedade, os poderes públicos devem tomar consciência e ter a noção de que a casa é um lugar de dignidade, “ou seja, nascemos, crescemos e temos como um ambiente, uma referência importante. Isso é de fundamental vitalidade, ter um lugar para morar, temos no Brasil um déficit habitacional muito grande ainda”, revelou o bispo e enfatizou que no Sudoeste do Paraná, uma região próspera graças a tantas pessoas que trabalham, tem algumas que ainda não tem essa referência, ainda não têm esse lugar, esse espaço quase que sagrado. “A casa é um espaço sagrado que todos deveríamos ter um lugar. Termino meu trabalho hoje, para onde vou? Para minha casa, eu tenho uma casa, uma família, um endereço que posso chegar e dizer: nesse espaço é totalmente meu, é nosso. Então a casa, é importante, é uma extensão da própria existência. Não tem como ter vida digna sem uma referência habitacional. Por isso a campanha vem nos ajudar, sensibilizando-nos e acima de tudo promovendo políticas públicas a fim de que o ideal seria que todas as pessoas tivessem uma casa. Infelizmente, ainda não chegamos a esse patamar, ou talvez isso seja até um idealismo, mas precisamos trabalhar, conscientizar toda a sociedade, facilitando às pessoas de baixa renda que tenham condições acesso à moradia digna”.

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