Porém, na sociedade atual, essa prática religiosa enfrenta a dura realidade de sobreviver a modernidade.
Sobre este tema, a reportagem entrevistou o Padre Emerson Detoni, da Paróquia do Senhor Bom Jesus e a coordenadora das Capelinhas do bairro Santuário, Cenira Maria Picolo.
Padre Emerson, comentou sobre os dados históricos, sendo que, as Capelinhas, chegaram no Brasil junto com os colonizadores, “é uma devoção portuguesa, de maneira especial. Desde 1500, já temos esta tradição no Brasil, principalmente, devido à dificuldade dos padres para atender as pessoas, que mantinham a fé através das celebrações, das orações, dessa presença de Deus na família, esta igreja doméstica, com a visita especial da Capelinha”, assinalou ele.
Sobre a organização do Movimento das Capelinhas, o Padre, esclareceu que é mais recente. “O primeiro dado que temos é de 1914, uma organização daquilo que chamamos de Movimento das Capelinhas. Este dado histórico, é muito importante para nós, porque marca todo esse processo de evangelização também do nosso Brasil”.
“Na nossa região, na nossa diocese, tivemos um longo período de um bonito trabalho. Praticamente toda a família católica recebia a imagem, a Capelinha na sua casa. Depois, tivemos a pandemia, gerou uma interrupção, foi parada todas as Capelinhas e, infelizmente, ainda não conseguimos retomar como gostaríamos dessa tradição, visitando as nossas casas. Faço um apelo para as pessoas que, às vezes gostariam de receber e que não estão recebendo, que possamos nos organizar e voltar com esta atividade tão importante de evangelização através das Capelinhas”, reiterou.
Cenira, explicou que é muito gratificante manter essa tradição, “passa de mãe para filha, tem filhas que a mãe faleceu, elas continuam zelando pela Capelinha. Temos que dar continuidade, é uma tradição muito antiga da nossa igreja. Dizem que dá trabalho, perto de outras coisas que dá muito mais trabalho. Zelar pela Capelinha é maravilhoso, é muito gratificante”, frisou a coordenadora e comentou que no seu bairro tem 31 Capelinhas. “Sou Zeladora de uma delas, Jesus da Santa Chaves”.
Informou também que conversa com as zeladoras, faz uma visita para saber como está o andamento das Capelinhas. “Temos um grupo no WhatsApp, vou pedindo se querem continuar zelando. Geralmente elas continuam fazendo o mesmo trabalho”.
Explicou também que a Capelinha chega na casa da pessoa ás 18h e no outro dia, no mesmo horário é levada para o próximo vizinho. “Tem algumas zeladoras que ainda fazem a oração com a família” e destacou que a maior dificuldade atualmente é encontrar Zeladoras.
Informou ainda que a Santa que mais tem nas Capelinhas é Nossa Senhora de Fátima. “Até pelo bairro ter o Santuário Nossa Senhora de Fátima, mas, também tem Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora do Bom Parto e Nossa Senhora de Lourdes”.
Apelo
“Faço um apelo, principalmente, para quem tem filhas, não temos homens zeladores, mas poderíamos ter, não tem problema nenhum. Que as famílias passassem para os filhos, a mãe vai envelhecendo, vai se privando de fazer as coisas que podiam fazer e não fazem mais. Que seguissem esse hábito, seria muito legal mesmo”.
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