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Quinta-feira, 13 de Agosto 2026
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Farmacocinética: por onde anda o fármaco pelo seu corpo?

A Farmacologia é a ciência que estuda a ação dos fármacos. Fármacos são as substâncias ativas que entram na composição dos medicamentos.

Farmacocinética: por onde anda o fármaco pelo seu corpo?
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Cada vez que você ingere um medicamento, as substâncias ativas, que respondem pelo efeito farmacológico, irão percorrer uma série de trajetos no organismo até o momento em que os fármacos irão deixar o ambiente interno, saindo efetivamente do corpo. Esses trajetos percorridos pelo fármaco é o objeto de estudo da Farmacocinética, uma das divisões da Farmacologia. Tradicionalmente, a Farmacologia é dividida em Farmacocinética e Farmacodinâmica. A Farmacocinética estuda a movimentação que o fármaco faz pelo corpo, enquanto a Farmacodinâmica estuda o efeito propriamente dito promovido pelo fármaco.

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A Farmacocinética se dedica a estudar a absorção, a distribuição, a metabolização e a excreção de fármacos. A absorção é a passagem do fármaco do ponto onde foi administrado até a corrente sanguínea. Essa é uma exigência para a grande maioria dos fármacos, com exceção dos medicamentos administrados topicamente. O fármaco percorre várias regiões do organismo e, em algumas delas, consegue penetrar nos tecidos. Nesse momento, configura-se a etapa da distribuição, que é quando o fármaco deixa a corrente circulatória e entra em um tecido e, de forma mais abrangente, em um órgão. 


Nenhum fármaco consegue entrar em todos os órgãos. Por um lado, há uma preferência por alguns compartimentos, como no caso dos fármacos altamente lipossolúveis, que entram com relativa facilidade no encéfalo e no tecido adiposo. Por outro lado, há algumas barreiras, que tentam impedir (ou dificultar) a entrada de substâncias em locais considerados nobres no organismo. Um desses locais é o sistema nervoso central que está protegido, da entrada indiscriminada de substâncias que circulam no sangue, pela barreira hematoencefálica. Desse modo, não é fácil atingir o cérebro, embora alguns fármacos precisem transpor essa barreira, pois o local de ação é justamente no cérebro, como os antidepressivos, os ansiolíticos, os estabilizadores de humor e os antipsicóticos.

 
Os testículos também recebem uma proteção adicional, pois são locais considerados nobres devido à produção de espermatozoides. E os espermatozoides não poderiam ficar à mercê de qualquer problema que comprometesse a sua integridade. Por isso há a barreira hemato-testicular, que impede que a maioria das substâncias que estão presentes no sangue passem para o interior dos testículos.   
Existe, ainda, outro local que precisa ser muito bem protegido: o feto, que é um ser em formação. A placenta serve como filtro, selecionando qual substância pode entrar em contato com os tecidos fetais. É claro que essas barreiras não são totalmente efetivas. Uma prova disso é a tragédia da talidomida, um hansenostático (para o controle da hanseníase) que, se ingerido por pessoas grávidas, causa uma má-formação muito séria, levando ao não desenvolvimento dos membros. O resultado é o nascimento de uma criança sem braços e sem pernas. Em alguns casos, o bebê nasce com as duas pernas, mas sem os braços. Há outros casos em que o bebê apresenta os quatro membros, mas todos reduzidos e disformes, sem a funcionalidade de membros bem formados.


Depois de o fármaco ser direcionado ao local em que há uma alteração patológica (onde o fármaco vai agir), ele precisa ir embora, não sem antes ser metabolizado. A metabolização é um processo em que uma enzima atua sobre a molécula do fármaco, modificando-a, o que facilita sua excreção. Por fim, o fármaco é colocado para fora, sendo que a maioria dos fármacos, na sua maior proporção, sai pela urina. Mas todos os fluidos e materiais biológicos podem, em tese, servir de via de eliminação de fármacos, como as fezes, o suor, a lágrima, a saliva, o leite, o esperma, a cera de ouvido, o sebo etc. Todo esse percurso percorrido pelo fármaco leva dias a semanas e o estudo da Farmacocinética é essencial para definir dose, forma farmacêutica, via de administração, posologia, entre outros detalhes que fazem da experiência de usar um medicamento algo seguro e eficaz.    

Rodrigo Batista de Almeida – Professor do Instituto Federal do Paraná
   

Bruno Lima

Publicado por:

Bruno Lima

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