Tenho, todos os dias, me defrontado com crianças de não mais que 6 anos de idade, possuídas pelas telas dos celulares. Sim, possuídas, esse é o termo correto. Você tenta puxar algum assunto, e mal elas levantam seus rostinhos, pois o que estão vendo, o que as está cativando, é muito melhor do que conversar com o tiozão que tenta lhes arrancar um sorriso, algumas palavras ou algo parecido.
Mas eu não sei se você percebeu: eu escrevi “crianças de não mais que seis anos de idade”. Eis aí o problema. Se fizermos uma vasta pesquisa científica, como, aliás, eu tenho pesquisado há anos, não encontraremos uma idade ideal para que as crianças comecem a usar um celular. Somente lhes digo, especialmente a vocês, senhores pais: quanto mais tarde você apresentar um celular ao seu filho, melhor ele será na vida. Sim, melhor ele saberá lidar com suas frustrações, melhor ele saberá lidar com suas emoções, melhor ele aprenderá lições do mundo ao seu redor e melhor ele se comunicará, ele se portará diante de qualquer cenário.
Não é novidade para ninguém: telas, para memórias que estão se formando como as de uma criança, somente empobrecem sua criatividade, endurecem a comunicação e aceleram seus pensamentos. E uma mente acelerada tende a cobrar, logo ali, na adolescência, um custo severo. Crises de ansiedade, falta de propósito, a busca pelo imediatismo e a perda de valores serão notórias. Pois aprenderam desde cedo que o silêncio não deve existir, só o barulho que vem dessas telas. Só a aceleração que lhes foi atribuída.
Grandiosos são os pais que, desde o primeiro ano de seus filhos, impõem limites. Grandiosos são os pais que, antes de mostrar a tecnologia, mostram o que é a vida off, o que é a vida em movimento lá fora, na naturalidade das coisas.
Grandiosos são os pais que transformam o balançar das árvores, a correria dos animais, rodas de conversa e a correnteza dos rios em memórias que seus filhos jamais esquecerão.
Júnior Chisté, psicólogo, “escritor e palestrante. “Atende através de “vídeo-chamadas, “(49) 9 9987 9071.

Jornal A Folha