É como se alguém tivesse virado a mesa de repente, espalhado as peças do quebra-cabeça que dávamos como completo. E a primeira reação é de dor. Dói ver o que era firme se desfazer. Dói perder o controle, a estabilidade, o rumo. Dói não entender o porquê.
Mas, aos poucos, quando o pó baixa e o silêncio se instala, algo começa a fazer sentido.
Você percebe que o que a vida desmonta… é o que já não se sustentava.
Que aquele chão que sumiu debaixo dos seus pés talvez nunca tenha sido firme o bastante.
Que o vazio que ficou, na verdade, é espaço, o mesmo espaço que você vai precisar para o novo acontecer.
E é aí que a psicologia da vida se revela:
Nem toda dor é punição.
Nem todo fim é tragédia.
Às vezes, é apenas a existência te empurrando para a versão que você ainda não conhecia de si mesmo.
Porque crescer também é perder. É mudar de rota. É se permitir quebrar, e se refazer com mais consciência, mais calma, mais verdade.
O tempo ensina que o que se vai, leva um pouco da ilusão.
O que fica, fortalece a alma.
E o que chega depois… traz um novo significado para tudo o que você viveu.
Talvez o que você chama de “fim” seja, na verdade, o momento exato em que a vida está te convidando a recomeçar, com mais leveza, mais coragem e mais amor por si mesmo.
Porque, às vezes, a vida não está te punindo. Está apenas te reposicionando, e o que parece ruína, é o início silencioso da reconstrução.
Júnior Chisté,
psicólogo, escritor e palestrante.
Atende através de vídeo-chamadas,
(49) 9 9987 9071.
Jornal A Folha