Muitas vezes associado apenas à dificuldade de concentração e ao rendimento escolar, o TDAH também pode impactar profundamente a forma como a criança se relaciona com outras crianças.
Em sala de aula ou nos momentos de brincadeira, crianças com TDAH podem demonstrar comportamentos impulsivos, falar fora de hora, interromper colegas ou ter dificuldade em esperar sua vez em jogos e atividades coletivas. Essas atitudes, que fazem parte do funcionamento neurológico do transtorno, podem ser interpretadas pelos colegas como falta de educação ou desinteresse, o que acaba gerando conflitos e, em alguns casos, isolamento social.
De acordo com o psicólogo e pesquisador Russell A. Barkley, especialista internacional no estudo do TDAH, muitas dessas dificuldades sociais estão ligadas ao comprometimento das chamadas funções executivas do cérebro. Essas funções são responsáveis por habilidades como controle de impulsos, planejamento e regulação emocional. Quando há alterações nesse sistema, a criança pode ter mais dificuldade em compreender limites, lidar com frustrações e organizar seu comportamento nas interações sociais.
Outro aspecto que vem sendo investigado por pesquisadores da área de Saúde Ambiental é a influência de fatores ambientais no desenvolvimento neurológico infantil. O médico e especialista em saúde ambiental Philip J. Landrigan alerta que o cérebro das crianças é extremamente sensível a substâncias tóxicas presentes no ambiente. Estudos apontam que a exposição a metais pesados, pesticidas e alguns compostos químicos pode interferir no funcionamento do sistema nervoso e contribuir para dificuldades cognitivas e comportamentais.
Isso não significa que o TDAH seja causado apenas por fatores ambientais. A ciência reconhece que o transtorno possui forte componente genético. No entanto, compreender que o ambiente também pode influenciar o desenvolvimento cerebral ajuda a ampliar o olhar sobre a saúde infantil.
Quando se trata das relações sociais, o apoio da família e da escola é fundamental. Crianças com TDAH precisam de orientação, compreensão e oportunidades de desenvolver habilidades sociais. Atividades esportivas, por exemplo, podem ser grandes aliadas nesse processo. Esportes coletivos estimulam disciplina, cooperação, respeito às regras e fortalecem a autoestima.
Mais do que corrigir comportamentos, é importante acolher essas crianças e ajudá-las a compreender suas emoções e atitudes. Quando recebem apoio adequado, elas podem desenvolver suas potencialidades, construir amizades saudáveis e encontrar caminhos positivos para seu crescimento.
Compreender o TDAH é, acima de tudo, um exercício de empatia. Afinal, muitas vezes, por trás de uma criança inquieta ou distraída, existe apenas alguém tentando encontrar seu lugar no mundo.
Vera Lucia Figueiredo Necher
Professora, escritora e
idealizadora do projeto
Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR). @veralucia1234_
