É aquela que nasce dentro de uma mulher quando ela abre os olhos pela manhã, respira fundo e decide continuar, mesmo quando a vida parece exigir mais do que ela acredita ser capaz de oferecer.
Ser mulher é aprender, desde cedo, a equilibrar sonhos e responsabilidades. É cuidar dos filhos, da casa, do trabalho, da família e, em meio a tantas tarefas, tentar encontrar um espaço para si mesma. É sorrir quando o coração está apertado, demonstrar força quando tudo o que se deseja é um abraço e seguir em frente mesmo sem ter todas as respostas.
Mas quem cuida de quem cuida de todos?
Essa é uma pergunta que merece ser feita com mais frequência. Afinal, por trás de tantas mulheres que parecem dar conta de tudo, existem cansaços silenciosos, medos escondidos, inseguranças e sonhos que, por muito tempo, foram deixados para depois.
A coragem feminina não significa ausência de medo. Significa enfrentar os desafios apesar dele. É recomeçar depois de uma decepção, buscar novas oportunidades depois de uma porta fechada e compreender que mudar de direção não é fracassar. Às vezes, é justamente a decisão que nos devolve a nós mesmas.
Há mulheres que enfrentam dificuldades financeiras, outras que vivem relacionamentos dolorosos, que lutam para conquistar seu espaço profissional ou que precisam provar, diariamente, que ainda são capazes de realizar grandes coisas. Há também aquelas que chegam aos 40, 50, 60 anos e descobrem que ainda existem muitos sonhos esperando para sair do papel.
E que bom quando elas descobrem isso!
A idade não deve ser uma sentença que limita possibilidades. Pelo contrário, a maturidade pode nos ensinar a escolher melhor, a reconhecer nosso valor e a compreender que não precisamos da aprovação de todos para viver aquilo em que acreditamos.
É por isso que acredito tanto na força da mulher que se permite recomeçar. Naquela que encontra no esporte uma oportunidade de cuidar da saúde, fortalecer a autoestima, construir amizades e redescobrir sua própria identidade. Quando uma mulher volta a ocupar espaços que acreditava não serem mais para ela, algo muda. Não apenas em seu corpo, mas também na maneira como se enxerga e se posiciona diante da vida.
No entanto, precisamos compreender que coragem não é fazer tudo sozinha. Também é pedir ajuda, reconhecer os próprios limites, descansar sem culpa e dizer não quando necessário. Nenhuma mulher precisa adoecer tentando provar que é forte.
A verdadeira força também está em se acolher.
Ao longo da vida, muitas de nós aprendemos a colocar as necessidades dos outros sempre em primeiro lugar. Fomos ensinadas a cuidar, resolver, suportar e seguir. Mas precisamos aprender, igualmente, a nos escolher. Não por egoísmo, mas porque uma mulher que reconhece suas próprias necessidades passa a compreender que sua vida também merece atenção, respeito e cuidado.
Talvez você, que está lendo esta coluna, esteja atravessando um momento difícil. Talvez esteja tentando encontrar forças para tomar uma decisão, recomeçar um projeto, recuperar sua autoestima ou simplesmente vencer mais um dia. Se for esse o seu caso, quero lhe lembrar de algo: você não precisa resolver toda a sua vida hoje.
Às vezes, a vitória está em dar o primeiro passo. Em levantar da cama, procurar ajuda, retomar uma atividade que lhe faz bem ou voltar a acreditar em uma possibilidade que parecia distante.
Não compare sua caminhada com a de outras mulheres. Cada uma carrega uma história que nem sempre pode ser vista por quem está de fora. Há batalhas que não conhecemos, lágrimas que não presenciamos e conquistas que, embora pequenas aos olhos de alguns, representam verdadeiros milagres para quem as vive.
Que possamos ser menos julgadoras e mais acolhedoras. Que, em vez de competirmos umas com as outras, aprendamos a estender as mãos. Porque quando uma mulher apoia outra, ela ajuda a construir um mundo em que nenhuma precise sentir vergonha de suas dificuldades ou medo de seus recomeços.
A coragem feminina não está em nunca cair. Está em compreender que uma queda não define toda uma história.
E, se existe algo que a vida me ensina, é que nunca devemos subestimar uma mulher que decidiu não desistir de si mesma.
Ela pode estar cansada, pode ter dúvidas, pode precisar de tempo. Mas, quando começa a reconhecer o próprio valor, descobre que ainda há caminhos a percorrer, sonhos a realizar e muitas razões para continuar.
Que nenhuma mulher se esqueça de si mesma enquanto cuida do mundo. Que tenha coragem para enfrentar os desafios, sabedoria para respeitar seus limites e liberdade para recomeçar quantas vezes forem necessárias.
Porque ser forte não é carregar o mundo nas costas.
É compreender que também merecemos ser cuidadas, respeitadas e felizes.
E, muitas vezes, a maior coragem de uma mulher é esta: escolher continuar, mas, desta vez, sem abandonar a si mesma.
Vera Lucia Figueiredo Necher /
Professora, escritora e idealizadora do projeto Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR).@veralucia1234_

Jornal A Folha