E o mais estranho é que, provavelmente, naquele momento você não vai saber que é a última.
Vai existir um último café com alguém que você ama. Um último abraço nos seus pais. Uma última conversa com um amigo. Um último aniversário em determinada mesa, com determinadas pessoas. Uma última viagem. Um último “eu te amo”.
E talvez uma das coisas que mais me façam pensar, depois de tantos anos ouvindo pessoas falarem sobre suas vidas, seja perceber como nós temos dificuldade de entender que as coisas não precisam durar para sempre para serem importantes.
Nós sabemos que a vida é finita. Sabemos racionalmente. Mas emocionalmente vivemos como se não soubéssemos.
Como se as pessoas fossem estar sempre ali.
Como se o corpo fosse esperar.
Como se nossos pais não envelhecessem.
Como se os filhos fossem continuar pequenos.
Como se os amigos não fossem embora.
Como se nós tivéssemos tempo.
E é assim que começamos a adiar.
A conversa que precisamos ter.
O pedido de desculpas.
A visita.
A viagem.
O cuidado com a nossa saúde.
O abraço que poderia ter durado alguns segundos a mais.
Às vezes, adiamos até aquilo que nos faria felizes.
E quase sempre fazemos isso amparados por uma palavra aparentemente inocente: Amanhã.
Amanhã eu ligo.
Amanhã eu começo.
Amanhã eu cuido de mim.
Amanhã eu digo.
Amanhã eu vou.
Só que existe uma pergunta que eu gostaria que você carregasse consigo: quem assinou o contrato garantindo o seu amanhã?
Ninguém.Talvez, por isso, o maior desperdício de uma vida não seja chegar ao fim dela.
Talvez seja chegar ao fim e perceber que você passou anos existindo, cumprindo horários, resolvendo problemas, pagando contas, atendendo expectativas… mas esteve ausente da própria vida.
E não estou dizendo que você precisa largar tudo, viajar pelo mundo ou viver como se não houvesse consequências.
Estou falando de algo muito mais simples.
Esteja onde você está.
Quando abraçar, abrace.
Quando estiver com seus pais, esteja com eles.
Quando seu filho quiser conversar, escute.
Quando amar alguém, demonstre.
Quando precisar pedir perdão, não espere tanto.
E quando perceber que não está bem, cuide de você.
Porque a vida não começa quando os problemas terminarem.
Não começa quando você tiver mais dinheiro.
Quando emagrecer.
Quando encontrar alguém.
Quando tiver férias.
Quando finalmente “sobrar tempo”.
A vida já está acontecendo.
Inclusive agora, enquanto você lê essas palavras.
E talvez seja essa uma das verdades mais difíceis de aceitar: o tempo que você está esperando chegar… é o mesmo tempo que está indo embora.
Por isso, quando você acordar amanhã, talvez valha a pena trocar uma frase.
Em vez de dizer: “Ganhei mais um dia.”
Lembre-se: não é mais um dia.
É menos um dia.
E isso não precisa assustar você.
Precisa apenas lembrá-lo de uma coisa: ainda dá tempo de estar presente na vida que você tem.
Júnior Chisté, psicólogo, “escritor e palestrante. “Atende através de “vídeo-chamadas, “(49) 9 9987 9071.

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