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Sábado, 30 de Maio 2026
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Brasil integra banco de dados dos EUA e avança em cirurgias de hérnia com alta no mesmo dia

Brasil integra banco de dados dos EUA e avança em cirurgias de hérnia com alta no mesmo dia
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Embora pareça uma doença silenciosa, a hérnia afeta cerca de 25% da população brasileira. Agora, com o Brasil integrado ao banco de dados americano sobre hérnias da parede abdominal, a tendência é de avanços ainda maiores nos diagnósticos e tratamentos. Técnicas modernas, como cirurgias por vídeo e robótica, já oferecem recuperação mais rápida, menos dolorosa e quase sem cicatrizes. O empresário Jair Dias, que passou por uma cirurgia de hérnia há seis meses, é um exemplo do sucesso desse modelo cirúrgico. “Eu já tinha feito uma cirurgia robótica para próstata, por causa de um início de câncer. Depois veio essa hérnia, do mesmo lado. Pela avaliação, o médico viu que ela já estava grande e não dava mais para esperar”, relembra. Jair contou que ficou apenas um dia no hospital e ficou surpreso com a recuperação: “No dia seguinte eu saí [de alta], sem nenhuma sequela, nenhuma dor. Dois dias depois eu já estava andando tranquilamente. Eu indicaria para qualquer pessoa”. Ele ainda destacou a diferença em relação à cirurgia tradicional. “Aquela era aberta, com pontos e recuperação mais lenta. Agora, com a robótica, só dois furinhos, quase não parece nada. Veio pra ficar”, avalia o empresário. A praticidade da cirurgia minimamente invasiva também conquistou o médico Tony Tannous Tahan, de 51 anos, que virou paciente após conviver por mais de 15 anos com uma hérnia inguinal bilateral. “Ela não incomodava muito, mas estava aumentando. Acabei adiando por receio. Mas a cirurgia foi tão tranquila que hoje penso: por que não fiz antes?”, conta. Ele foi submetido à cirurgia há oito meses e recuperou-se em um mês e meio. “Foi por vídeo, com um corte pequeno no umbigo e dois laterais, todos com menos de um centímetro. É um privilégio viver essa era em que podemos tratar problemas sérios com mínima invasão”, afirma Tony. Os dois pacientes ressaltam a importância de confiar na evolução da medicina. “Hoje tudo é moderno, desde o consultório do dentista até a sala de cirurgia. A tecnologia está aí e facilita muito. Se não fosse assim, eu teria um corte enorme na barriga”, diz Jair. Para Tony, a mensagem é clara: “Mesmo sendo médico, a gente também sente medo, mas é preciso aproveitar os avanços que temos. É seguro, eficaz e muda a vida da gente pra melhor”. Por iniciativa da Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal (SBH), cirurgiões brasileiros agora têm acesso ao banco de dados americano, chamado ACHQC (Abdominal Core Health Quality Collaborative) ou Central de Colaboração de Qualidade de Saúde Abdominal. Este programa, criado em 2014 nos Estados Unidos, reúne informações clínicas para melhorar o tratamento de hérnias. Gustavo Soares, presidente da SBH, explica que o Brasil é o primeiro país fora dos EUA a integrar o projeto. “O objetivo é registrar todos os resultados de hérnias de cirurgiões voluntários, para termos um mapa e saber o que realmente está acontecendo com a doença. Desde 2014, esse banco de dados tem sido aprimorado e, em 2023, depois de muitas negociações, o Brasil foi aceito como membro desse banco. Nós somos a primeira entidade fora dos Estados Unidos a pertencer a esse programa.” A parceria exigiu alinhamento legal, respeitando legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), vigente no Brasil desde 2018. Soares destaca que “esse é um marco para a sociedade acadêmica brasileira, dando acesso a cientistas e médicos a um banco de dados gigantesco para produção de ciência”. O banco conta com mais de 475 cirurgiões e 127 mil pacientes cadastrados, contendo informações sobre saúde geral dos pacientes, características físicas, histórico médico e resultados pós-operatórios. O médico curitibano Christiano Claus, especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo, colabora com a base de dados americana e acredita nos benefícios dessa integração. “Muito do que conseguimos construir hoje como entendimento do que é melhor vem através de estudos científicos. Quando montamos um banco de dados, analisamos as técnicas utilizadas, os produtos empregados e o comportamento dos pacientes no pós-operatório. Isso nos permite determinar se uma técnica é melhor do que outra ou se um produto oferece melhores resultados.” Claus também ressalta a transparência do processo. “Todos os pacientes assinam um termo de consentimento para contribuir com a ciência. Eu gosto muito de uma frase: onde se produz ciência, os pacientes são melhores tratados. Tomamos decisões baseadas em dados concretos e não em achismos.” As hérnias da parede abdominal atingem, em média, 28 milhões de brasileiros, segundo a SBH. De 2022 para 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou aumento de 13% no número de cirurgias para o tratamento da doença, somando 397 mil procedimentos no período. Apesar dos números expressivos, Gustavo Soares, presidente da SBH, alerta que o tema ainda é pouco discutido. “Por ser um problema que atinge tantos brasileiros e pelo impacto que tem na sociedade, eu acho que é pouco debatido. Isso se reflete em problemas pontuais, como a fila enorme no Brasil para tratamento desses pacientes.” Visando aumentar a conscientização, a SBH propôs a criação do Dia Nacional de Conscientização Sobre as Hérnias da Parede Abdominal no Congresso Nacional. “Ter essa data no calendário oficial aumenta a possibilidade de obter verbas públicas e permite educar a população sobre os sintomas, riscos e necessidade do tratamento. É mais uma forma de trazer soluções para um problema tão frequente”, conclui Gustavo Soares.
A Folha

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