A investigação que apura o desvio milionário de doações feitas por meio da fatura da Celesc descobriu que o número de vítimas é maior do que o inicialmente estimado. Segundo a Polícia Civil, cerca de 14.600 unidades consumidoras em Santa Catarina foram fraudadas, gerando um prejuízo de pelo menos R$ 10 milhões.
O caso é alvo da Operação Falso Samaritano, deflagrada no dia (05) de setembro. As apurações revelaram que, em dois anos e meio, menos da metade do valor arrecadado chegou às entidades beneficiadas, como hospitais e clínicas.
Atuação em seis cidades de Santa Catarina
De acordo com o delegado Regional de Joinville, Rafaello Ross, o esquema era comandado da cidade do Norte catarinense e se expandiu para Blumenau, Brusque, Indaial, Chapecó e Xanxerê. A empresa investigada, Slaviero Benefits, foi contratada por pelo menos 15 entidades para gerenciar doações via conta de luz.

As fraudes incluíam o uso de códigos trocados, que redirecionavam recursos a instituições indevidas, e até descontos aplicados em contas de consumidores que não haviam autorizado doações. “O próximo passo será identificar quais unidades consumidoras realmente não deram o aceite. Isso deve confirmar os descontos indevidos”, explicou Ross.
Prisões e apreensões
Três homens foram presos no início da operação, acusados de liderar o esquema. Eles ficaram detidos por cinco dias e foram liberados. Entre os bens apreendidos estavam produtos de luxo, uma coleção de whiskys importados avaliada em R$ 40 mil, suspeita de ter sido usada na lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar todas as entidades prejudicadas e rastrear o destino dos valores desviados. Novos nomes podem ser incluídos no inquérito.

Jornal A Folha