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Terça-feira, 16 de Junho 2026
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Mãe descreve os últimos momentos que teve com sua filha, antes de a menina ser brutalmente assassinada pelo pai

Mãe descreve os últimos momentos que teve com sua filha, antes de a menina ser brutalmente assassinada pelo pai
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Um fato de repercussão nacional devido aos requintes de crueldade

A reportagem da TV A Folha se deslocou à Abelardo Luz (SC), para uma entrevista com a Ester, mãe da Hosana Esmeralda Silva Pegoraro (1 ano e 9 meses), que foi morta pelo próprio pai, no dia (25) de maio, deste ano, no Assentamento Santa Rosa I. Em uma entrevista, mais de 20 minutos, a genitora relembrou daquele fatídico dia e também relatou sobre alguns fatos e a dor da perda de uma filha de uma maneira tão trágica.

Mãe descreve os últimos momentos que teve com sua filha, antes de a menina ser brutalmente assassinada pelo pai
Mãe e filha

Explicou que no domingo, dia que ocorreu o fato, pela manhã foi um dia normal, “tomamos café, ela com a mamadeira, comeu pão, brincou, deu risada, depois almoçamos, mas, a Hosana, comeu pouco. Era uma menina tranquila, gostava de brincar e fazer bagunça. Brincou, brincou, mas aquele dia estava estranho, ela, não queria se distanciar por nada de mim, queria o meu carinho. Olhava, com aquele olhinho, coisa mais linda e dava risada, dizia, mamãe minha, só minha”, desabafou Ester e comentou que sua mãe havia recebido uma ligação e alguém avisava para me cuidar que estava prestes acontecer algo. “Arrumei as coisas no carro e iria voltar para casa. Falei que não queria mais ficar com ele, já estávamos em uma relação desconfortável e cada vez que brigávamos já tinha um porquê, não queria sair da casa, alegava não ter como ir para o interior. Então, resolvi ir para a cidade, ele não aceitou”, argumentou ela e destacou que uma cena chamou sua atenção, “creio que ele havia premeditado, a sacola que levou para o mato tinha uma corda, antes estava no porta malas do carro”.

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Culpa
A mãe, justificou que o acusado pediu para pegar sua filha um pouquinho no colo, “nunca imaginei que esse pouquinho ia se tornar o resto da vida sem ela. A Hosana era uma pessoa cativante, não via maldade em ninguém. Se chegasse, agradasse, brincasse, iria com a pessoa. Era uma criança sensacional, inteligente, perfeita, querida, amada. Às vezes me sinto culpada, por que a entreguei. Para mim ele estava brincando de cavalinho, tanto que ela saiu correndo com ele e rindo, nunca vou esquecer essa cena, porém, quando eles entraram no mato, já estava chorando, não queria sair do meu colo. Quando já não escutei mais seu choro, senti que alguma coisa havia acontecido. No laudo diz que ela morreu ás 13h30”, ressaltou a mãe e diz que outra questão que causou surpresa foram os doces no carro, pois, seu marido não comprava nem fraldas para a criança.

Mãe descreve os últimos momentos que teve com sua filha, antes de a menina ser brutalmente assassinada pelo pai

Notícia
De acordo com a mãe, o acusado ligou para um familiar. “Eles, ocultaram a notícia, soube por terceiros que a minha filha já estava morta. Quando a Polícia já estava procurando, eu, também estava no local, não abandonei um minuto. Saí de lá quando pararam as buscas e disseram que ele estava preso em Xanxerê. As minhas cunhadas, já sabiam de toda a verdade e se fizeram de falsa comigo, não me contaram nada, acobertaram ele, resultou nisso. Fui até a Xanxerê, me disseram que ele não queria contar onde a Hosana estava. A Polícia, me questionou se teria coragem de encarar o assassino. Respondi, já estou passando todas, estou torturada. A intenção dele era me ver torturada, só falou no momento que olhou para minha cara. Disse, sou um mostro para vocês. Em momento algum expressou sentimento. Disse para mim, matei a tua filha. É só tu ir buscar que ela está pendurada.  Eu matei. Respondi, você tirou um pedacinho de mim. Até hoje dói porque eu chego na frente da minha casa, ela já estava me esperando, sabia que iria trazer um pacotinho de doce ou uma bala”, disse consternada com a situação.
Casamento
Revelou também que era um casamento de aparência, “não queria mais saber dele, minha filha praticamente, morreu um dia nos meus braços, por causa dele. Larguei a minha vida, tudo que tinha para viver com ele, para minha filha ter o pai e a mãe juntos. Mesmo assim, houve julgamentos, eu não corri atrás, comentaram que não fui mãe”.

Mãe descreve os últimos momentos que teve com sua filha, antes de a menina ser brutalmente assassinada pelo pai

Corpo
Ester, acrescentou que não chegou a ver o corpo no local do crime, apenas no necrotério. ”Quando cheguei em Abelardo, pensei que iria para o interior atrás da minha filha, por bem ou por mal, iria achá-la, mas, a polícia já havia encontrada. Comentei com o policial, por mais doído que seja a notícia, não esconda de mim. Meu primo disse que foi horrível encontrar o corpo, parecia uma boneca, pendurada, ficou penteadinha”.
Um presente
A mãe, revelou que Hosana, foi uma pessoa que mudou sua vida, ”foi um presente que Deus me deu, não podia engravidar mais. Mas ao mesmo tempo tirou ela de mim”.
Disse ainda que passava dificuldades para dar o que a menina precisava, “trabalhava a noite pra dar o que ela gostava. O pai, que era o pai, não comprava uma fralda ou até mesmo um lenço. Eu, e a madrinha que comprava”, frisou e destacou que o acusado do crime, dizia que a filha não era dele. “Essa criança já foi renegada antes de nascer, um filho é filho, pode ser de fulano ou beltrano. Daria tudo para trocar a minha vida pela dela, poder voltar no tempo”.

Agressão
“Não serei o primeiro caso a sofrer violência doméstica, não começa simplesmente com um tapa ou uma palavra verbal. Nós, mulheres, passamos por tanta coisa, às vezes omitimos o que sofremos em casa. Como mulher, digo, quem passou por isso, ou quem está passando, coloque a mão na consciência, se puder fugir, fuja, se puder ir para outro lugar, vá, não deixe acontecer o que aconteceu comigo, porque a violência doméstica, é algo que começa com uma pequena palavra, que ele te fala e depois pede perdão, te traz presente, diz que vai ficar tudo bem. Dali alguns minutos, o crime se repete”, afirmou com veemência.

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