Mãe é presa após morte de bebê de 53 dias e investigação aponta roupas molhadas como fator de estranheza
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Uma mulher de 27 anos foi presa em flagrante pela morte de seu filho, um bebê de 53 dias, em Mandirituba, nesta quarta-feira (2). O caso é tratado como maus-tratos com resultado morte. A identidade da mãe não foi revelada. Segundo o supervisor Gelenski, da Guarda Municipal de Mandirituba, a mãe chegou ao Hospital Municipal acompanhada de outra mulher com o bebê já sem sinais vitais. A equipe médica constatou o óbito e acionou a Guarda Municipal. “A criança estava bem roxa. Já fazia algumas horas que ela estava em óbito”, afirmou o supervisor à Banda B.
De acordo com o relato da mãe, o bebê foi amamentado, teve a fralda trocada e foi colocado para dormir por volta da 1h da manhã. Pela manhã, ela percebeu que os pés do filho estavam gelados e arroxeados, levando-o ao hospital. A delegada Janaina Garcia, da Delegacia de Fazenda Rio Grande, informou que a prisão em flagrante foi convertida em preventiva após audiência de custódia. A mãe também não pôde comparecer ao velório da criança.
“Ela chegou ao hospital pedindo uma consulta. De imediato, a equipe médica constatou o óbito e acionou os órgãos de segurança para esclarecer os fatos. Eu consegui ouvir uma das médicas, e de forma visível não foi possível identificar hematomas ou sinais de agressão que pudessem esclarecer o caso já no primeiro momento”, explicou a delegada.
A delegada destacou que as roupas do bebê estavam molhadas quando ele foi admitido no hospital, o que gerou estranheza. “Na conversa com a médica, perguntei se poderia ser xixi, mas ela não pôde confirmar. Na manhã do atendimento, não estava chovendo, e já descartamos a hipótese de que a criança tenha se molhado por chuva no trajeto”, relatou.
O bebê havia passado por consulta médica no dia anterior, em que o prontuário indicou que a saúde estava em dia.
Morte de outro filho
Em 2021, a mãe perdeu outro filho, na época com quatro meses de idade. Um laudo apontou edema pulmonar agudo como causa da morte, e o caso foi arquivado. Segundo a delegada, várias testemunhas foram ouvidas na ocasião e não houve indícios de maus-tratos. Ainda assim, o histórico foi considerado relevante para manter a prisão atual da mulher. A polícia segue investigando o caso, ouvindo testemunhas e aguardando os laudos do Instituto Médico Legal (IML), que poderão definir se houve negligência ou se foi uma fatalidade. “Precisamos esclarecer os fatos para que não imputemos um crime que talvez ela não tenha cometido, nem deixemos de fazer justiça em caso de negligência”, afirmou Janaina Garcia.
O que diz a defesa
A defesa da mãe nega qualquer indício de maus-tratos e afirma acreditar em uma fatalidade. “Não descartamos a hipótese de ter acontecido o mesmo com o segundo filho. Era uma criança saudável, que passava por acompanhamento médico semanal. A mãe foi à unidade de saúde um dia antes para consulta de rotina, e nenhuma alteração foi constatada”, disse o advogado Michael Pinheiro ao repórter Tiago Silva. Ele ainda destacou que a mãe estava “aos berros” na delegacia por não ter conseguido comparecer ao enterro do filho. “A magistrada decidiu mantê-la presa analisando o histórico do caso anterior. Mas já foi demonstrado que naquela ocasião a criança não sofreu maus-tratos e morreu devido a uma doença gerativa”, acrescentou.
Outro advogado da mãe, Fábio de Assis, enfatizou a necessidade do laudo pericial. “Solicitamos à juíza urgência na confecção do laudo pela Polícia Científica. É um documento determinante para o caso e pode garantir a liberdade da cliente. Acreditamos na inocência dela”, concluiu.
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