Após ressuscitar dos mortos, Nosso Senhor Jesus Cristo passou 40 dias junto aos seus discípulos. Logo após, ocorreu um episódio chamado de Ascensão. Nela, Jesus se eleva em corpo e alma e dirige-se até o Pai. O Catecismo da Igreja Católica (CIC), nos parágrafos 638 a 667 tratam da Ascensão de Jesus, que marca a entrada definitiva de sua humanidade na glória divina e sua entronização à direita do Pai. Após 40 dias de aparições, Jesus ascende ao céu para reinar, interceder por nós e preparar o nosso lugar, enviando o Espírito Santo, Paráclito, Defensor, Advogado, Velador e Protetor.
O que é que significa, portanto, a Ascensão, segundo o Catecismo?
Passados os quarenta dias em que se mostrou aos Apóstolos sob as aparências duma humanidade normal que ocultavam a sua glória de Ressuscitado, Cristo sobe ao céu e senta-se à direita do Pai. Ele é o Senhor que agora reina com a sua humanidade na glória eterna de Filho de Deus e sem cessar intercede por nós junto do Pai. Envia-nos o Seu Espírito e tendo-nos preparado um lugar, dá-nos a esperança de um dia ir ter com Ele. Nisto se exprime a fé pessoal da Igreja no destino de Jesus de Nazaré. Este homem, com o qual os apóstolos “comeram e beberam” durante sua existência terrena, “tornou-se Senhor” depois de sua morte, porque o Pai o associou definitivamente à sua vida, ao seu poder sobre a humanidade e sobre o mundo.
Disse Jesus: “Todo poder me foi dado no céu e na terra”. Vivo, depois de sua paixão, está ele presente entre os seus numa nova dimensão, e ainda com eles nos caminhos do mundo, onde os envia como testemunhas de sua ressurreição, anunciadores do perdão dos pecados e da vida de filhos de Deus, portadores da força do Espírito Santo que reúne os homens de todas as nações na única Igreja. Com a fé e o batismo, todos os homens entram na nova dimensão do Ressuscitado, pensam e buscam “as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus”, escreveu o Apóstolo Paulo aos Colossenses (3,1), participam, como membros do corpo de Cristo, da “plenitude daquele que completa inteiramente todas as coisas”.
Pensando nesta realidade, podem-se compreender as expressões de entusiasmo dos antigos cristãos segundo São Leão Magno, papa no século V, tratou do mistério da Ascensão do Senhor, sendo a nossa vitória. Seguindo a Sagrada Escritura, São Leão Magno, afirmou que a Ascensão ocorreu após quarenta dias da Ressurreição de Jesus (cf. At 1,3). Escreveu o Papa: “A Ascensão do Cristo é a nossa ascensão; já que o Corpo é convidado a elevar-se até a glória em que o precedeu a cabeça, vamos cantar nossa alegria, expandir em ação de graças todo o nosso júbilo. Hoje, não apenas conquistamos o paraíso, mas, no Cristo, penetramos nos mais altos céus”.
60º Dia das Comunicações Sociais
Na Mensagem para o 60º Dia das Comunicações Sociais, na Solenidade da Ascensão, sob o título “Preservar vozes e rostos humanos”, o Papa Leão 14 introduz com a expressão: “O rosto e a voz são traços únicos, distintivos, de cada pessoa; manifestam a própria identidade irrepetível e são o elemento constitutivo de cada encontro. O rosto e a voz são sagrados. Foram-nos doados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele próprio nos dirigiu que preservar rostos e vozes humanas significa preservar o reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos, definidos antecipadamente. Cada um de nós tem uma vocação insubstituível e inimitável que emerge da vida e que se manifesta precisamente na comunicação com os outros. Precisamos que o rosto e a voz voltem a significar pessoa. Precisamos preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem, à qual devemos orientar também toda a inovação tecnológica”.
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão.
