Não importa a profissão, a condição financeira, a religião ou a opinião política. Quando a bola rola, milhões de pessoas compartilham a mesma expectativa, prendem a respiração diante de um lance decisivo e comemoram um gol como se todos fizessem parte da mesma família.
Em tempos em que as diferenças parecem ganhar mais espaço do que aquilo que nos aproxima, o esporte nos lembra que ainda somos capazes de vibrar juntos. O futebol, em especial, tem esse poder quase mágico de transformar ruas em arquibancadas, salas em estádios e desconhecidos em companheiros de torcida.
Durante uma Copa do Mundo, o país veste as mesmas cores. Crianças aprendem a amar o futebol observando os pais e os avós. Amigos se reúnem, famílias se reencontram e até quem normalmente não acompanha o esporte acaba envolvido pela emoção coletiva. Não se trata apenas de um jogo. Trata-se da esperança de ver o nome do nosso país sendo celebrado diante do mundo.
É verdade que o futebol não resolve os problemas de uma nação. Não diminui as dificuldades econômicas, não acaba com as desigualdades e nem substitui as responsabilidades de quem governa. Mas, por alguns instantes, ele devolve algo que também é essencial: a capacidade de acreditar, de sonhar e de sentir orgulho de pertencer ao mesmo lugar.
Talvez seja justamente isso que torne o esporte tão importante. Ele nos ensina que vitórias são construídas em equipe, que derrotas fazem parte da caminhada e que nenhum grande resultado acontece sem dedicação, disciplina e perseverança. Valores que servem tanto para um atleta quanto para qualquer cidadão.
O esporte também cria pontes. Aproxima gerações, fortalece amizades, incentiva o respeito pelo adversário e mostra que competir não significa dividir, mas crescer juntos. Dentro de uma quadra, de um campo ou de uma arquibancada, aprendemos que todos têm um papel importante e que ninguém vence sozinho.
Que possamos aproveitar este clima de futebol para lembrar que a verdadeira força de um país está na sua capacidade de caminhar unido. E, se por alguns dias o futebol consegue fazer milhões de brasileiros acreditarem novamente, sorrirem juntos e cantarem o mesmo hino com emoção, então ele já cumpriu uma das mais belas missões que o esporte pode ter: fazer um povo inteiro bater no mesmo coração.
Porque, às vezes, acreditar no nosso país começa com um simples apito inicial.
Vera Lucia Figueiredo Necher /
Professora, escritora e idealizadora do projeto Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR).@veralucia1234_

Jornal A Folha