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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
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Fóssil de tartaruga gigante de 3 metros é descoberto por pesquisadores na Amazônia

Fóssil de tartaruga gigante de 3 metros é descoberto por pesquisadores na Amazônia
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Pesquisadores brasileiros encontraram na Amazônia parte de um casco bem preservado de uma tartaruga que poderia alcançar cerca de três metros de comprimento. A descoberta foi feita na região localizada entre 5 e 7 horas de viagem da cidade de Assis Brasil, no Acre, em um local já conhecido como sítio de fósseis — geralmente pequenos e fragmentados, como de cobras, lagartos, peixes, plantas e tartarugas. Porém, os cientistas não esperavam encontrar algo de tamanha dimensão. Em 17 de junho, o grupo formado por barqueiros e pesquisadores da Ufac (Universidade Federal do Acre), da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) chegou ao leito do rio para realizar uma escavação. “Foi um negócio monstruoso”, afirma Carlos D’Apolito, então professor da Ufac e pesquisador apoiado pelo Serrapilheira (sem relação direta com essa expedição). “Estava bem exposta já [a carapaça fossilizada]. Quando o rio vai baixando, vai lavando o fóssil.” O fóssil, segundo D’Apolito, possivelmente pertence à espécie Stupendemys geographicus, anteriormente descrita e encontrada em melhores estados de conservação na Colômbia e na Venezuela. No Brasil, até então, apenas fragmentos tinham sido descobertos. Cerca de metade da carapaça foi preservada, medindo aproximadamente 1,3 metro. Também foram identificados no local ossos de fêmur e úmero. A expedição faz parte da Iniciativa Amazônia+10, que apoia pesquisas em áreas de difícil acesso, com financiamento da Fapac (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre) e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Após o achado, o maior desafio foi transportar o fóssil até um laboratório da universidade. A retirada contou com cinco barcos, sendo que um deles, maior, estava carregado com equipamentos. Graças a essa embarcação, o fóssil foi resgatado antes de ser levado pelo rio, evitando possíveis danos. Para o transporte, os pesquisadores envolveram o fóssil em um molde de gesso, cobriram com lona e improvisaram uma estrutura com paus sobre a embarcação. D’Apolito compara a solução a “um estrado de camas antigas”. Ele relembra as dificuldades enfrentadas: “A descida do rio foi terrível”, diz o pesquisador sobre a jornada de nove horas até chegar ao município de Assis Brasil, enfrentando diversas vezes bancos de areia. As expedições na Amazônia geralmente ocorrem no período seco, quando o volume dos rios é menor. Ainda assim, o transporte do fóssil não foi concluído ao chegar na cidade, pois não cabia na caminhonete. Após ficar alguns dias na casa de um dos barqueiros, ele foi finalmente levado ao laboratório da Ufac em um caminhão. No laboratório, a equipe agora enfrenta o desafio de limpar e remontar o fóssil, que sofreu alguns danos durante o transporte — algo já esperado. “Vamos ter que montar um quebra-cabeça”, afirma D’Apolito. A partir dessa remontagem, será possível realizar mais análises para confirmar se o fóssil pertence à mesma espécie de tartaruga já encontrada na Colômbia e na Venezuela. Além do próprio fóssil, a descoberta levanta novas questões científicas. “O tamanho desse animal, se você pensar em uma população viável de uma tartaruga de três metros, que tipo de corpo de água você precisaria para isso?”, questiona D’Apolito. A descoberta também pode contribuir para entender conexões hidrológicas entre Brasil, Colômbia e Venezuela ocorridas milhões de anos atrás. No entanto, o pesquisador ressalta que nem sempre grandes fósseis levam às descobertas mais relevantes. “A gente coleta fósseis minúsculos, do tamanho de uma unha. Às vezes um pequenininho vai ter uma importância científica maior do que uma tartaruga desse tamanho.” Ainda assim, o fóssil da Stupendemys geographicus atrai atenção e exige soluções específicas. Atualmente, os pesquisadores buscam recursos para adquirir uma mesa de laboratório suficientemente grande para acomodar o animal durante suas análises.
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