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Sexta-feira, 08 de Maio 2026
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Brava gente brasileira

Em um tempo de crises (econômica, social, ideológica, política e outras), o início do refrão do Hino da Independência do Brasil revela a essência da alma do povo brasileiro. “Brava gente brasileira”, que mesmo em meio a tantos desafios, escolhe ter coragem, lutar e correr atrás de seus sonhos.

Brava gente brasileira
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Que esta Semana da Pátria não nos leve a pensar somente no evento que supostamente marcou a Independência do Brasil, mas nas inúmeras “independências” que ao longo da vida conquistamos.
Quanto ao Hino da Independência do Brasil, defendo que não deveria ser entoado apenas durante sete dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano, mas, quem sabe, uma vez por mês, nas escolas, como forma de manter viva a história nacional e o patriotismo, tão decadente atualmente. E quando falo em patriotismo não me refiro exclusivamente à política institucional, aos partidos e à balbúrdia que tomou conta das câmaras municipais, das assembleias legislativas, do congresso nacional, das prefeituras e sedes dos governos estaduais e federal. Refiro-me às atitudes de todo cidadão comum no seu dia a dia, independente dos olhares, câmeras e das curtidas das redes sociais virtuais, que demonstram amor à pátria como “mãe de todos”.
Como professor, percebo que pode ser ensinado muito mais às crianças e aos adolescentes sobre a importância de valorizar, respeitar e amar a nossa nação, de defender o Brasil e os seus interesses, de querer o melhor para si e para todos os seus conterrâneos. Muitos não conhecem quais são os quatro símbolos da pátria (Hino Nacional, Bandeira, Brasão da República e o Selo Nacional), outros malemal sabem o Hino Nacional que, junto à bandeira, ainda resiste, mesmo cantado erroneamente por alguns. A lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971 determina que, no mínimo, uma vez por semana todas as escolas, públicas ou particulares, façam o hasteamento da Bandeira Nacional, enaltecendo-se todo o respeito a este símbolo com uma pequena cerimônia. Onde trabalho fazemos e acredito que a maioria das instituições também faça, mas precisamos ir além. Aliás, já que estamos na Semana da Pátria, vale explicar que os quatro símbolos são independentes, ou seja, não necessitam uns dos outros. Por exemplo, para cantar o Hino Nacional não é obrigatório ter a Bandeira Nacional nem se voltar para ela durante a entoação, pois, apesar do peso patriótico que carregam, cada símbolo tem seu valor. O que a legislação obriga é que em todas as ocasiões haja respeito. Portanto, mesmo sem bandeira podemos cantar o Hino Nacional Brasileiro. 
Mas, e o Hino da Independência do Brasil? Não há obrigatoriedade de cantá-lo em cerimônias oficiais, mas é uma forma de celebrar e expressar o patriotismo em ocasiões festivas. Com letra de Evaristo da Veiga e música inicialmente de Marcos Portugal, que foi substituída pela melodia de Dom Pedro I em 1824, era um hino de destaque durante o período imperial, mas foi gradualmente esquecida com a queda de popularidade do imperador, sendo resgatada mais tarde, em 1922, para o centenário da independência. Sua terceira estrofe apresenta um tema muito atual: “Não temais ímpias falanges / Que apresentam face hostil / Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil”. As “ímpias falanges” se referem às tropas inimigas (Portugal) que apresentavam uma “face hostil” e queriam escravizar o povo brasileiro, mas este povo, como uma muralha, lutou e o libertou. Hoje as “ímpias falanges são outras, ainda mais audaciosas e superestimadas.
O Brasil nunca esteve totalmente independente, pois o jogo de interesses leva a firmar parcerias necessárias para a nossa subsistência. Contudo, toda nação é soberana e deve ter tal soberania reconhecida e respeitada, sem qualquer influência ou interferência, a não ser que venha a cometer crimes contra os direitos humanos, por exemplo. Atualmente, o documento internacional reconhecido como base no combate aos crimes contra a humanidade é o Estatuto de Roma. Esse documento foi a base para a criação do Tribunal Penal Internacional, que julga crimes contra a humanidade, sediado nos Países Baixos. Aqui no Brasil, um dos períodos marcados por crimes contra a humanidade foi a Ditadura Militar. E, como pessoas de bem, vivemos numa luta constante contra qualquer forma de repressão e de extremismo, seja de esquerda, seja de direita, para impedir que nosso Brasil fique ainda mais dividido por ideologias que, em vez de unir, separam, causam discórdia e, infelizmente, não estão levando a lugar algum. Já passou da hora da “ordem” e do “progresso” da bandeira – frase positivista, ultrapassarem as fronteiras do nosso estandarte e irem para a prática, para a ação.
Assim sendo, celebrar a independência do Brasil é muito mais do que festejar uma data cujo o calendário marca como feriado nacional. É celebrar, sim, um país livre das amarras exteriores, livre dos grilhões estrangeiros, mas, principalmente é celebrar as independências pessoais, a vida, o amor, a família, a liberdade para ser quem e como quiser, sem rótulos ou preconceitos, para ter suas próprias vontades e ambições. Que a recordação de 7 de setembro de 1822 e a ousadia de pessoas e grupos corajosos nos inspire e nos faça sentir mais orgulho de quem somos, brasileiros e brasileiras de sangue, alma e coração.
Diego Argenta, professor de Língua Portuguesa e Oratória. Pós-graduado em Comunicação e Oratória; Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura; Neuropsicopedagogia e Letras e Artes. Mestre de Cerimônias com mais de 20 anos de experiência. Formando em Jornalismo e Sociologia. E-mail: diegoargentavox@gmail.com. Instagram: @diegoargenta.mc.

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