Há sorrisos, aplausos, incentivos e pessoas dispostas a dizer que sempre acreditaram naquela viagem.
Mas basta uma tempestade chegar, basta surgir um pequeno furo no casco, para que muitos procurem o primeiro colete salva-vidas e abandonem a embarcação. Poucos permanecem. Poucos ajudam a retirar a água. Poucos se dispõem a remar quando o vento deixa de soprar.
A vida também é assim.
O sucesso atrai admiradores. A prosperidade aproxima pessoas. As conquistas fazem parecer que todos torcem por nós. Porém, são as dificuldades que revelam quem realmente merece um lugar na nossa história.
É nos dias de incerteza que descobrimos quem segura nossa mão em silêncio, quem trabalha ao nosso lado para encontrar soluções e quem prefere partir antes mesmo de tentar consertar o problema.
Curiosamente, muitos querem participar da chegada ao porto, mas poucos aceitam enfrentar as ondas do caminho. Querem a fotografia da vitória, mas não os dias de luta, as noites sem dormir e as marcas deixadas pelas tempestades.
Talvez o maior aprendizado não seja lamentar aqueles que pulam do barco. Afinal, cada pessoa revela seu caráter quando escolhe permanecer ou partir diante das adversidades.
Valorize quem pega um balde para tirar a água, quem ajuda a remendar o casco e quem continua remando mesmo sem garantia de que o mar ficará calmo novamente.
Porque barcos podem ser consertados. Tempestades passam. O vento volta a soprar.
E, quando isso acontece, quem permaneceu não comemora apenas o destino alcançado. Comemora a certeza de que a verdadeira força nunca esteve no barco, mas nas pessoas que decidiram não abandoná-lo quando tudo parecia perdido.
No fim, não é a bonança que revela os grandes companheiros. É a tempestade.
Vera Lucia Figueiredo Necher /
Professora, escritora e idealizadora do projeto Rich’s Volleyball Mulheres 40+, em Palmas(PR).@veralucia1234_

Jornal A Folha