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Drogamérica e a história da Farmácia no Brasil

Drogamérica foi uma farmácia de manipulação que funcionava em São Paulo no bairro Higienópolis, desde 1963.

Drogamérica e a história da Farmácia no Brasil
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A farmácia era de propriedade do farmacêutico Dr. Paulo Queiroz Marques, que faleceu em 2016, aos 95 anos. O Dr. Paulo ficou conhecido nacionalmente por levantar duas importantes bandeiras da nossa profissão. A primeira foi o ressurgimento das farmácias de manipulação, tendo criado a Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), entidade que até hoje é reconhecida por manter elevados os padrões da manipulação de medicamentos no Brasil.
A segunda bandeira foi a da história da Farmácia, da qual o Dr. Paulo foi um grande entusiasta. Ele mesmo reuniu diversas peças do universo farmacêutico, como frascos de medicamentos, potes de Farmácia, jacarés de farmácia (prensa-rolhas) e muita vidraria.
Os potes de Farmácia são, como o nome sugere, potes de porcelana de capacidade de volume de mais ou menos 3 litros e que eram usados nas antigas boticas para acondicionar a matéria-prima, majoritariamente de origem vegetal e dessecada. Quando o farmacêutico recebia uma receita, ele preparava a fórmula no seu laboratório, misturando os materiais que estavam armazenados nos potes. 
Os jacarés de farmácia são peças de ferro fundido, na forma de um jacaré, sendo que a parte superior, correspondendo ao dorso do animal, é articulada com a parte inferior, de modo a permitir um movimento de prensa. O farmacêutico moldava as rolhas de cortiça até o encaixe perfeito nos frascos de vidro contendo os medicamentos, pois a prensa era constituída de moldes de diferentes dimensões.
As vidrarias, por sua vez, são peças feitas em um vidro especial resistente ao calor (borossilicato) e que tinham diferentes finalidades, como medir volume, servir como recipiente para mistura de líquidos, conter substâncias para pesagem etc.
Enfim, as antigas farmácias, todas sendo de manipulação (até a introdução dos medicamentos industrializados), dispunham desses materiais, além de muitos outros, formando o completo laboratório farmacêutico para o aviamento das prescrições.
Boa parte do acervo do Dr. Paulo era proveniente da sua própria farmácia. O restante ele foi colecionando por décadas. E a maioria das peças já tinha sido doada ao Museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo quando o visitei, em janeiro de 2007. O museu era inicialmente voltado para a história do hospital, mas, com a solicitação do Dr. Paulo, dedicou parte da sua área para a história da Farmácia.
Ele mesmo me acompanhou em uma visita ao museu, apesar de estar fechado para visitação (o Dr. Paulo tinha passe livre no hospital). Fomos no seu carro, que tinha arranhões nas quatro quinas. Mesmo com 86 anos à época, ele dirigiu da sua farmácia até a Santa Casa, naquele padrão de direção tipicamente adotado pelos 80+. Me deu certa apreensão. No entanto, se a sua filha, que estava na farmácia, não colocou objeção, imaginei que tudo estava sob controle.
O Dr. Paulo me explicou sobre a função das peças do acervo, algumas desconhecidas por mim, como as bolas de vidro (as showglobes), que toda farmácia mantinha no topo dos armários. Eram grandes bolas de vidro preenchidas com soluções coloridas (vermelha, alaranjada e verde), que sinalizavam que ali era um estabelecimento de manipulação de medicamentos. Tinham a mesma função dos cilindros dos barbeiros (os barber pole) com listras vermelhas, azuis e brancas, colocados na frente das barbearias.
Com tanto empenho, o Dr. Paulo fundou a Associação Brasileira para a Preservação da Memória da Farmácia. Eu comprei uma réplica de um pote de farmácia, para ajudar a associação. De quebra, ganhei um CD-ROM (artigo desconhecido pela geração mais nova) com alguns números microfilmados da Gazeta da Pharmacia, que circulou no século passado. 
Somo gratos, portanto, ao Dr. Paulo pela contribuição à história da Farmácia. Prestigiem o seu trabalho, visitando o Museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. É um ótimo passeio, até para crianças. Assim, a história da Farmácia vai se mantendo viva.

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Rodrigo Batista de Almeida
Professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Palmas.

Bruno Lima

Publicado por:

Bruno Lima

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