O automático é aprendido, construído aos poucos, dia após dia, como uma resposta silenciosa às exigências do mundo e às dores que não tiveram espaço para ser sentidas.
Ele nasce da pressa constante, das cobranças que nunca cessam, da obrigação de dar conta de tudo e de todos. Nasce quando parar parece perigoso, quando sentir dói demais e quando pensar profundamente ameaça desmontar estruturas frágeis. Então a mente faz o que sabe fazer para proteger: desliga. E quando escolher cansa, a rotina assume o controle.
Viver no automático é, antes de tudo, uma estratégia de sobrevivência. Em algum momento da história pessoal, foi preciso endurecer, seguir em frente sem olhar para os lados, reduzir a sensibilidade para não quebrar. Não sentir tanto, não questionar tanto, apenas continuar. Isso salvou. Isso sustentou. Isso permitiu seguir vivo.
O problema começa quando essa estratégia, que um dia foi necessária, se transforma em modo de vida. Quando os dias passam sem presença, quando as relações perdem profundidade, quando a vida acontece e você apenas atravessa. O automático deixa de proteger e passa a roubar sentido, energia e identidade.
Sair do automático não é simples, porque exige aquilo que antes precisou ser evitado: consciência. E consciência dói. Ela revela padrões, escolhas adiadas, emoções reprimidas e verdades difíceis. Exige coragem para sentir, para rever caminhos, para admitir que algo precisa mudar.
Mas é exatamente aí que a vida começa de novo.
Quando você decide assumir o próprio ritmo, escutar o corpo, questionar a mente e escolher com mais intenção. Ninguém entra no automático por acaso.
E ninguém está condenado a permanecer nele.
Viver com presença é um ato de coragem.
E toda transformação começa quando você decide acordar.
Júnior Chisté, psicólogo,
escritor e palestrante.
Atende através de vídeo-chamadas,
(49) 9 9987 9071.
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