Passaram-se seis meses da proibição do uso de aparelhos celulares nas escolas brasileiras, através da Lei nº 15.100/2025, sancionada no dia 13 de janeiro deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, o que mudou? Quais foram os impactos no ambiente escolar? A atenção e a concentração aumentaram? Os alunos aceitaram numa boa ou se revoltaram? Os professores acolheram a determinação como positiva ou negativa?
Conforme o ministro da Educação, Camilo Santana, o objetivo não é proibir o uso de celulares, mas proteger as crianças e adolescentes restringindo o acesso a esses aparelhos, tendo como foco a utilização em sala de aula única e exclusiva para fins pedagógicos e com orientação dos professores. Já nos intervalos, a intenção é fortalecer a integração entre os alunos, pois a grande maioria passava esse tempo tirando fotografias, gravando vídeos e conversando em aplicativos de mensagens e redes sociais em vez de interagirem socialmente, numa espécie de paradoxo, visto que ao mesmo tempo em que conversavam com muitos tinham contato com poucos.
Anos atrás, quando o uso de aparelhos celulares na escola já era proibido, muitos de nós, professores, defendiam a permissão desse recurso para fortalecer as atividades curriculares, como em pesquisas instantâneas, cálculos e dicionários, por exemplo. Hoje, como professor, sou totalmente favorável a lei, pois adolescentes e jovens não têm maturidade suficiente para conciliar aulas/escola e celular num mesmo ambiente de forma saudável. Até nós, adultos, precisamos nos policiar para não exagerarmos no uso das telas! Quanto aos alunos, no início do ano estavam receosos, um pouco até indignados – alguns diziam que o celular era parte deles, que não conseguiriam ficar longe, mas agora, seis meses depois, a maioria agradece e apoia a iniciativa. A norma diz que a tecnologia deve ser meio e não fim, servindo para potencializar a aprendizagem e não como distração ou elemento isolado.
Nesse ponto podemos citar as excessivas e exaustivas plataformas disponibilizadas às escolas da rede pública estadual, como Wayground (Quizizz), Redação Paraná, Leia Paraná, Khan Academy, Inglês Paraná entre outros, em que professores e alunos devem utilizar semanalmente, inclusive com metas para cumprir. O que acontece é que muitas escolas não têm estrutura material, com computadores suficientes para todos os alunos. No caso dos celulares, auxiliariam na realização de muitas atividades em sala de aula, agilizando o acesso às inúmeras atividades, sendo que muitas não requerem tela grande para serem feitas. Mas até o momento evita-se, para não dar abertura para distrações. Vez ou outra algum tira o aparelho da mochila e tenta persuadir o professor, contudo, basta dizer “não pode” e voltam a guardar aquilo que consideram parte “inseparável” de si.
Este é um assunto que gera opiniões variadas, cada qual defendendo seu ponto de vista, mas, uma coisa é certa: a proibição dos aparelhos celulares nas escolas brasileiras tem mostrado, especialmente aos alunos, a importância de olhar para o outro, de interagir com os colegas, de apoiarem-se, de olharem-se nos olhos. Podemos dizer que as mudanças foram positivas! Tecnologia e educação podem e devem conviver, mas com cautela. Faremos mais sobre isso nos próximos artigos.
Diego Argenta, professor de Língua Portuguesa. Pós-graduado em Comunicação e Oratória; Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura; Neuropsicopedagogia e Letras e Artes. E-mail: diegoargentavox@gmail.com.
Seis meses sem celular nas escolas: o que mudou?
Passaram-se seis meses da proibição do uso de aparelhos celulares nas escolas brasileiras
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